A pressão do Palácio do Planalto no fim de semana contra o fim da isenção sobre compras em sites internacionais de até US$ 50 surtiu efeito, revertendo apoios no Congresso Nacional.
Na semana passada, a maioria dos líderes partidários apoiava a chamada “taxa da blusinha”, mas o cenário mudou nesta segunda-feira (27) após uma ofensiva que contou com a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Nesta terça-feira (28), líderes partidários já admitem que a iniciativa perdeu força e que é melhor aceitar a proposta do governo de analisar a “taxa da blusinha” em um projeto de lei separado.
Segundo apurações, a atuação de Haddad foi crucial. O ministro, que antes evitava o assunto, passou a defender que o tema foi polarizado e necessita de uma discussão técnica. Seu compromisso em retomar a discussão acalmou os ânimos contra o governo, de acordo com os líderes partidários.
A decisão sobre retirar o fim da isenção do Mover será tomada em reunião, no início da tarde, com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). A condição defendida na Casa Legislativa é que o Ministério da Fazenda envie, ainda em junho, um projeto de lei para taxar as compras internacionais.
A mudança de rumo também se deu por influência do Senado. No fim de semana, senadores governistas iniciaram um movimento para suprimir a “taxa da blusinha” do Mover caso ela fosse aprovada pela Câmara dos Deputados. O diagnóstico foi que, no fim das contas, a Câmara levaria todo o ônus de criar um imposto que prejudicaria a classe média.

