O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (3) que não faltarão acomodações em Belém para os participantes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), marcada para o próximo mês na capital paraense. O presidente enfatizou que não busca luxo e que pretende dormir em um barco durante o período do evento.
Acompanhando as obras de infraestrutura voltadas à COP30 em Belém, Lula concedeu entrevista à TV Liberal do Pará. Ele ressaltou que a conferência deve marcar um ponto de virada nas discussões globais sobre mudanças climáticas. “Eu vou querer dormir no barco, ainda não tem o barco, mas eu vou encontrar um barco, que eu vou dormir no barco. Porque eu não quero luxo, eu quero vir participar dessa COP porque essa COP tem que ser a COP da verdade. Até agora a gente vai tomando muitas decisões e não tem cumprido as decisões que a gente toma”, afirmou.
Segundo Lula, além da rede hoteleira da capital paraense, os próprios moradores estão oferecendo suas casas para receber delegações. “O povo de Belém é extraordinariamente amoroso e gentil. Tem muita gente saindo das suas casas e alugando casa para quem quiser vir. Como é feito em Santa Catarina no verão; 1,2 milhão de argentinos vão pra Santa Catarina e o povo de Santa Catarina sai da casa para alugar para os argentinos”, lembrou.
O alto custo das hospedagens em Belém tem gerado apreensão entre delegações e autoridades, principalmente representantes de países mais pobres e organizações da sociedade civil. Em resposta, a Organização das Nações Unidas aumentou o valor do subsídio para hospedagem dessas delegações, passando de US$ 144 para US$ 197 por dia.
A organização brasileira também criou uma alternativa para facilitar a permanência de parte dos participantes. Foram disponibilizados 2,5 mil quartos individuais subsidiados, com preços que variam entre US$ 100 e US$ 600.
O governo estima que cerca de 45 mil pessoas comparecerão à COP30. Belém conta, normalmente, com 18 mil leitos de hotel, o que exigiu medidas adicionais. Dois navios de cruzeiro serão adaptados como hotéis flutuantes, oferecendo cerca de 3,9 mil cabines, que juntas chegam a 6 mil leitos.
Além disso, a capital paraense terá três novos hotéis de alto padrão, fruto de investimentos de grupos internacionais. Parcerias com plataformas virtuais de hospedagem particular também foram firmadas para ampliar a oferta de acomodações.
Na véspera, quinta-feira (2), Lula esteve na Ilha do Marajó. Ao embarcar em Belém em uma aeronave da Força Aérea Brasileira, o avião apresentou falha e precisou ser trocado. “Eu fui pegar o avião para ir para o Marajó e teve um problema no motor do avião. O avião [do modelo] Casa da Força Aérea Brasileira. E eu só tinha que agradecer a Deus que podia ter tido um problema quando eu estivesse no ar e teve quando eu estava em terra”, relatou.
O presidente explicou que a troca de aeronave foi feita às pressas para evitar maiores riscos. “Nós tivemos que descer do avião, com risco do avião pegar o fogo. E nós fomos num avião [modelo] Brasília [para a Ilha do Marajó]”, disse. Depois do susto, Lula visitou o santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém.
Não foi a primeira vez que Lula enfrentou dificuldades em voos oficiais. Em outubro de 2024, durante viagem ao México, o avião presidencial VC-1 teve uma falha técnica após decolagem e precisou permanecer cerca de cinco horas em voo, queimando combustível antes de pousar com segurança.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

