O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, reagiu à declaração feita por Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião ministerial desta terça-feira (26). Segundo relatos de participantes, Lula afirmou que Rueda não gostava dele, acrescentando que o sentimento era recíproco. A fala, considerada de tom direto, repercutiu imediatamente entre dirigentes do partido.
Nos bastidores, Rueda avaliou que a colocação do presidente intensifica a pressão para que os ministros da legenda deixem o governo, especialmente em um momento que ele classifica como “inadequado”. O União Brasil é visto como peça-chave nas articulações do Planalto para garantir apoio em votações estratégicas, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R\$ 5 mil.
Apesar do desconforto, Rueda também procurou enxergar um aspecto positivo na situação. Ele disse a parlamentares que o fato de Lula tê-lo citado nominalmente diante de todos os ministros reforça a relevância política da legenda e da sua própria liderança. Embora admita divergências com o presidente, Rueda afirmou que está aberto ao diálogo e disposto a participar de reuniões ou conversas que Lula julgar necessárias.
A declaração presidencial ocorreu em meio a uma cobrança mais ampla por maior fidelidade de ministros ligados ao centrão. Lula se referia ao evento que oficializou a federação entre PP e União Brasil, realizado na semana passada, no qual prevaleceram discursos críticos à sua gestão. O recado foi claro: ministros que não demonstrarem disposição em defender publicamente o governo podem ser substituídos.
Atualmente, o União Brasil comanda três pastas: Turismo, chefiado pelo deputado licenciado Celso Sabino (PA); Desenvolvimento Regional, sob Waldez Goés; e Comunicações, liderado por Frederico de Siqueira Filho, ambos ligados à cota pessoal do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP).
Foto: Ricardo Stuckert / PR

