O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na terça-feira, durante a Cúpula do G7 realizada em Évian, na França, um maior compromisso das nações mais desenvolvidas com a redução das desigualdades globais e o fortalecimento das políticas de desenvolvimento. Convidado a participar do encontro que reúne algumas das principais economias do planeta, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que a distância entre países ricos e pobres continua crescendo e alertou para a necessidade de respostas concretas diante dos desafios sociais enfrentados por bilhões de pessoas em todo o mundo. Segundo Lula, a prosperidade observada em centros econômicos desenvolvidos contrasta com a realidade de grande parte da população do Sul Global, que ainda convive com dificuldades relacionadas à alimentação, saúde, educação e acesso a oportunidades.
Durante seu pronunciamento, o presidente destacou que os problemas internacionais se acumulam enquanto a cooperação entre as nações perde força. Para ele, a solidariedade internacional vem diminuindo justamente em um momento em que os desafios econômicos, sociais e ambientais exigem mais articulação entre os governos. Lula argumentou que o sistema econômico global produz riqueza em larga escala, mas distribui oportunidades de maneira desigual, ampliando diferenças históricas entre países e populações.
O presidente também chamou atenção para a redução de recursos destinados a organismos multilaterais voltados ao combate à pobreza e à promoção do desenvolvimento. Ele lembrou que, no último ano, o Programa Mundial de Alimentos sofreu forte diminuição em seu financiamento, enquanto instituições ligadas à saúde e à proteção da infância registraram cortes significativos em seus orçamentos. Na avaliação de Lula, conflitos armados e disputas geopolíticas acabam desviando recursos e prioridades que poderiam ser direcionados para ações de combate à fome, melhoria dos sistemas de saúde e ampliação do acesso à educação.
Outro ponto enfatizado pelo presidente foi o crescimento dos gastos militares em escala global. Segundo ele, os recursos destinados à área de defesa alcançam cifras extremamente elevadas, enquanto milhões de pessoas continuam sem acesso a serviços básicos. Lula observou que os países em desenvolvimento enfrentam ainda o peso do pagamento de suas dívidas externas, destinando anualmente valores muito superiores à ajuda financeira recebida das economias mais ricas.
Ao recordar sua participação em reuniões internacionais desde o início de seu primeiro mandato presidencial, em 2003, Lula afirmou que diversas cúpulas foram realizadas ao longo das últimas décadas sem que houvesse a construção de soluções coletivas duradouras para problemas que afetam milhões de pessoas. Para ele, conceitos como austeridade permanente, redução do papel do Estado e desregulamentação excessiva dos mercados foram apresentados por muitos anos como soluções universais, mas não conseguiram enfrentar as desigualdades de maneira eficaz.
Sem citar nomes, o presidente também criticou a crescente concentração de riqueza no mundo e mencionou que uma única fortuna privada supera o patrimônio acumulado por uma parcela expressiva da população mundial. Segundo Lula, esse cenário evidencia a necessidade de mudanças estruturais capazes de promover maior equilíbrio econômico e social. O presidente concluiu defendendo que a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou caminhos importantes para enfrentar esses desafios, ressaltando que o principal obstáculo atual não é a falta de recursos, mas sim a insuficiência de vontade política e de mecanismos efetivos para transformar compromissos em ações concretas.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

