O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste sábado com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio da Alvorada, para discutir os desdobramentos da revogação dos vistos americanos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sob o governo de Donald Trump, e provocou reação imediata do governo brasileiro.
Na nota divulgada pela Presidência da República após o encontro, Lula classificou a decisão norte-americana como “inaceitável” e se solidarizou com os ministros afetados. Segundo o comunicado, o presidente considerou a ação “arbitrária e completamente sem fundamento”, além de representar uma interferência inaceitável nos assuntos internos do Brasil.
“Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos”, declarou Lula. “A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações. Estou certo de que nenhum tipo de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, vai comprometer a mais importante missão dos poderes e instituições nacionais, que é atuar permanentemente na defesa e preservação do Estado Democrático de Direito.”
O presidente também ressaltou que o Brasil manterá firme sua atuação em defesa das instituições. “Nenhuma intimidação comprometerá a missão fundamental dos poderes nacionais”, afirmou Lula, reforçando que qualquer tentativa de ingerência será repudiada com veemência.
A reunião entre Lula e o chanceler também abordou a agenda internacional do presidente, incluindo a viagem programada ao Chile. Lula deve embarcar para Santiago no domingo à tarde e participará, na segunda-feira, de um encontro de alto nível sobre a proteção da democracia na América Latina. O retorno a Brasília está previsto para o mesmo dia.
A sanção anunciada por Marco Rubio atinge, além de Alexandre de Moraes, os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Também foram incluídos familiares e “aliados no tribunal”, conforme comunicado divulgado nas redes sociais.
Rubio afirmou que o presidente Donald Trump “deixou claro que seu governo responsabilizará estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos”.
A revogação dos vistos ocorre em meio à intensificação das tensões entre Washington e Brasília. Na semana anterior, Trump já havia comunicado a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com vigência a partir de 1º de janeiro. Poucos dias depois, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras, incluindo o uso do Pix, alegando possível restrição injusta às exportações americanas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

