O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende disputar a eleição presidencial de 2026, desde que esteja com saúde. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast “Mano a Mano”, apresentado por Mano Brown e publicada nesta quinta-feira. O episódio foi gravado no Palácio da Alvorada no dia 15 de junho.
“Se eu for candidato, é para ganhar as eleições“, disse Lula. Ele comentou ainda os nomes que têm sido ventilados como possíveis adversários no campo conservador. “Eu vejo a extrema-direita falando em Tarcísio, em Ratinho, em Caiado. Eles podem falar em quem quiserem, mas qualquer um terá que fazer mais do que eu”, declarou, em referência aos governadores de São Paulo, Paraná e Goiás, respectivamente.
Uma pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou empate técnico entre Lula e Tarcísio em um eventual segundo turno, com 43% contra 42%.
Na entrevista, o presidente também defendeu o decreto que eleva as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), proposta que enfrenta resistência no Congresso. “O IOF do Haddad não tem nada de mais. O Haddad quer que as bets paguem imposto, as fintechs, os bancos, pagar um pouquinho só, para a gente fazer a compensação. Porque toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, a gente tem que cortar no Orçamento”, explicou. “O IOF é para fazer essa compensação. Então, essa briga nós temos que fazer. Não dá para ceder toda hora”, acrescentou.
Ao abordar fraudes identificadas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Lula responsabilizou estruturas herdadas da gestão anterior. “Descobrimos que várias entidades foram criadas no governo Bolsonaro, na perspectiva de mudança de governo. Quando começamos a investigar, nós não fizemos espetáculo de pirotecnia porque queríamos chegar no bandido, no chefe. E chegamos. Estamos investigando essas pessoas, que certamente serão presas”, afirmou.
O presidente comparou a situação do país no início de seu mandato com um cenário de devastação. “Quando chegamos aqui, pegamos um país semi-destruído. De vez em quando olho para a destruição na Faixa de Gaza e eu fico imaginando o Brasil que nós encontramos. (…) Tinha sido uma destruição proposital. O presidente não gostava de nenhum ministério que poderia ser uma alavanca de organização da sociedade“, criticou.
Lula também acusou Jair Bolsonaro de agir com base no ódio e na desinformação e defendeu a regulamentação das redes sociais como forma de combater fake news. Segundo ele, a decisão pode acabar partindo do Supremo Tribunal Federal. “A regulamentação depende do Congresso Nacional e também da Suprema Corte. Eu acho que, hoje, está mais factível ser aprovado pela Suprema Corte do que pelo Congresso Nacional, porque, muitas vezes, a empresa tem mais pressão em cima do deputado do que da Suprema Corte”, avaliou.
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