Em nova tentativa de convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a disputar o governo de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o parlamentar na quarta-feira, em encontro fora da agenda oficial. Segundo relatos de pessoas que acompanharam a conversa, Pacheco reiterou ao presidente que não pretende se candidatar neste ano, mantendo resistência a entrar na disputa estadual, apesar das investidas do Palácio do Planalto.
A eventual candidatura de Pacheco em Minas é vista por aliados de Lula como peça importante para reorganizar articulações políticas em Brasília. Na avaliação desse grupo, a definição do senador como candidato poderia facilitar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Pacheco era o nome preferido no Senado para a Corte, mas acabou preterido, o que gerou resistências internas ao chefe da Advocacia-Geral da União.
Integrantes do governo avaliam que, caso o senador aceite concorrer em Minas, o cenário para Messias melhoraria consideravelmente, sinalizando um acordo político entre Lula e o ex-presidente do Senado. Essa leitura, porém, esbarra na posição cautelosa adotada por Pacheco, que tem evitado compromissos eleitorais antecipados e reforçado sua prioridade institucional.
Apesar da negativa apresentada no encontro, interlocutores do governo afirmam que o assunto não está encerrado. Um aliado do senador disse que ainda não há definição definitiva e que novas conversas podem ocorrer ao longo dos próximos meses, conforme o cenário político evolua e as negociações avancem.
Nos bastidores, Lula tem repetido que Pacheco é hoje o nome mais competitivo do campo governista em Minas Gerais. O estado é considerado estratégico para a formação do palanque presidencial de 2026, tanto pelo peso eleitoral quanto pelo histórico de equilíbrio entre forças políticas. O presidente já sinalizou disposição para ajudar o senador a superar entraves partidários e a estruturar alianças regionais.
Pacheco, por sua vez, destaca a necessidade de resolver indefinições internas no PSD e avaliar o momento adequado para qualquer decisão. Aliados afirmam que a cautela reflete a complexidade do cenário nacional e local, ainda em processo de acomodação. O encontro reforça o papel central de Minas nas estratégias eleitorais e na construção de alianças para o próximo ciclo político do país nos próximos anos eleitorais.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

