O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a adotar um discurso crítico ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua participação na cúpula ampliada do G7, realizada nos Alpes Franceses. Em declarações concedidas a jornalistas após compromissos oficiais, Lula classificou o comportamento do líder norte-americano como o de um “imperador” e afirmou que atitudes unilaterais adotadas por Trump representam um “mau exemplo” para as relações internacionais. As manifestações ocorreram em meio à expectativa de um possível encontro mais aprofundado entre os dois chefes de Estado, algo que acabou não sendo confirmado pela diplomacia brasileira.
Na terça-feira, Lula e Trump participaram de um evento cultural promovido pelo governo francês, que incluiu uma apresentação coral seguida de um jantar reservado aos líderes presentes na reunião. Segundo relatos de integrantes das delegações, os dois presidentes trocaram cumprimentos de maneira cordial em algum momento entre as atividades. Não houve registro oficial do encontro, mas a conversa foi confirmada por participantes do evento.
Já nesta quarta-feira, os dois líderes voltaram a se encontrar nos corredores da cúpula. Imagens divulgadas pela imprensa mostraram Trump cumprimentando Lula com um aperto de mãos, um leve tapa no ombro e palavras amistosas. O presidente norte-americano teria perguntado se estava tudo bem e desejado “bom trabalho” ao brasileiro antes de seguir para outro compromisso.
Apesar da cordialidade demonstrada nos encontros informais, as divergências políticas e econômicas permaneceram evidentes ao longo dos debates. Durante sessão do G7 ampliado voltada para temas relacionados à solidariedade internacional e ao desenvolvimento econômico, Lula fez críticas ao avanço do protecionismo e ao ressurgimento de práticas unilaterais nas relações entre os países. Embora não tenha mencionado diretamente os Estados Unidos ou Donald Trump, o discurso foi interpretado como uma referência às medidas tarifárias adotadas recentemente por Washington.
Em sua fala, o presidente brasileiro afirmou que o neoliberalismo aprofundou desigualdades econômicas e contribuiu para crises políticas enfrentadas por diversas democracias. Segundo Lula, respostas baseadas em barreiras comerciais e decisões unilaterais não oferecem soluções efetivas para os desafios globais contemporâneos. Ele também defendeu a ampliação da cooperação internacional e reforçou a importância do respeito à soberania dos Estados no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
O tema da soberania voltou a ocupar posição central na agenda do governo brasileiro. Desde a imposição de tarifas contra produtos brasileiros durante o julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, Lula tem utilizado com frequência esse argumento em discursos nacionais e internacionais. A estratégia ganhou ainda mais força após a visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e o anúncio de novas medidas adotadas pelo governo norte-americano envolvendo o Brasil.
Durante os trabalhos desta quarta-feira, Lula também participou de debates sobre crescimento econômico sustentável e desenvolvimento tecnológico. A programação incluiu ainda uma reunião bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, além de um almoço de trabalho dedicado ao debate sobre inteligência artificial com representantes de grandes empresas de tecnologia.
Outro compromisso aguardado era um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski. O governo brasileiro informou que a reunião estava prevista na agenda, mas admitiu a possibilidade de alterações em razão dos atrasos acumulados na programação oficial da cúpula. A eventual conversa entre os dois líderes era considerada importante diante das discussões internacionais sobre os conflitos em andamento e os esforços diplomáticos para a construção de alternativas de paz.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

