O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira, especialmente na região da Bacia da Foz do Amazonas, durante visita à Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo. Segundo o presidente, a atividade deverá ocorrer com responsabilidade ambiental e respeito à Amazônia, mas também precisa avançar por razões econômicas, energéticas e de soberania nacional. Lula afirmou que o governo brasileiro possui compromisso com a preservação ambiental e destacou que o país não pode abrir mão de explorar riquezas naturais consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
Durante o discurso, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a exploração da Margem Equatorial deve ser conduzida com cautela para evitar impactos ambientais negativos. Ao mesmo tempo, declarou que o Brasil não pode permitir que potências estrangeiras demonstrem interesse sobre áreas consideradas estratégicas do território nacional. O presidente mencionou declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre outros territórios internacionais e afirmou que o Brasil precisa ocupar e explorar suas riquezas naturais com responsabilidade para garantir recursos destinados ao futuro do país.
A Petrobras obteve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis para iniciar pesquisas exploratórias na Margem Equatorial. A região é considerada uma das principais apostas para expansão da produção petrolífera nacional, sendo comparada por especialistas ao potencial apresentado pelo pré-sal. O governo federal avalia que a exploração poderá ampliar receitas públicas, fortalecer a segurança energética e aumentar investimentos estratégicos em infraestrutura e desenvolvimento industrial.
Durante o evento em Paulínia, Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás, realizadas nos anos anteriores. Segundo ele, as vendas representaram tentativa gradual de enfraquecimento da Petrobras. O presidente afirmou que a estatal deve continuar sendo tratada como patrimônio nacional e defendeu a manutenção do controle público sobre a empresa diante dos impactos provocados pelas crises internacionais sobre os preços dos combustíveis.
Lula também comentou os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre o mercado internacional do petróleo. Segundo o presidente, o aumento das exportações e da arrecadação com petróleo permitirá ao governo federal reduzir impactos sobre os preços internos dos combustíveis. Ele afirmou que o governo pretende utilizar recursos arrecadados com impostos sobre exportações para subsidiar diesel e gasolina, evitando que consumidores brasileiros arquem diretamente com os reflexos econômicos do conflito internacional.
A visita presidencial ocorreu durante anúncio de investimentos de R$ 37 bilhões da Petrobras no estado de São Paulo até dois mil e trinta. Segundo a estatal, os recursos serão destinados ao fortalecimento do refino, biorrefino, logística, exploração, descarbonização e geração de energia sustentável. A empresa estima geração de trinta e oito mil empregos diretos e indiretos com os novos projetos previstos.
Cerca de R$ 6 bilhões serão destinados à Refinaria de Paulínia, considerada a maior do país e responsável pelo abastecimento de mais de trinta por cento do território nacional. Atualmente, a refinaria possui capacidade para processar quatrocentos e trinta e quatro mil barris de petróleo por dia. Com os investimentos anunciados, a capacidade deverá subir para quatrocentos e cinquenta e nove mil barris diários.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa também pretende ampliar a produção de combustível sustentável de aviação e alcançar autossuficiência nacional em diesel até dois mil e trinta. Segundo ela, a Petrobras trabalha ainda para anunciar oficialmente a viabilidade comercial de novas descobertas no bloco Aram, localizado no pré-sal da Bacia de Santos.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

