O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do Pix nesta terça-feira (2) e afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos tem despertado preocupação nos Estados Unidos por oferecer vantagens que desafiam modelos tradicionais de transações financeiras. Durante evento realizado em Catalão, Goiás, o presidente destacou a eficiência da ferramenta criada pelo Banco Central e criticou a postura do governo norte-americano em relação ao tema.
As declarações ocorreram após a divulgação de relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que questiona o funcionamento do Pix e aponta supostas vantagens concedidas pelo governo brasileiro ao sistema. O documento também propõe a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
Segundo Lula, o Pix representa uma inovação que beneficia diretamente a população ao oferecer transferências gratuitas e instantâneas. O presidente afirmou que o modelo brasileiro se tornou referência internacional e sugeriu que os Estados Unidos poderiam adotar uma solução semelhante.
Na avaliação do chefe do Executivo, a principal preocupação de empresas norte-americanas está relacionada ao impacto do Pix sobre o mercado de cartões de crédito e outros meios privados de pagamento. Lula argumentou que a gratuidade e a praticidade do sistema brasileiro ampliaram sua aceitação entre consumidores e empresas.
O presidente também reforçou que o Brasil não aceitará pressões externas que possam comprometer instrumentos considerados estratégicos para a economia nacional. Durante o discurso, ele afirmou que o país deve ser tratado com respeito nas negociações internacionais.
A manifestação ocorreu em meio às discussões provocadas pelo relatório do USTR, resultado de uma investigação iniciada há um ano pelo governo do presidente Donald Trump sobre práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
O documento sustenta que determinadas políticas adotadas pelo Brasil criariam obstáculos para empresas dos Estados Unidos, especialmente no setor de pagamentos eletrônicos. Além das críticas ao Pix, o relatório recomenda medidas que podem resultar em novas barreiras comerciais.
Lula afirmou que a iniciativa surpreendeu o governo brasileiro, uma vez que existiam negociações em andamento entre os dois países. Segundo ele, durante encontro realizado anteriormente com Donald Trump, foi estabelecido um prazo de 30 dias para que representantes dos dois governos buscassem uma solução negociada para questões comerciais.
O presidente lembrou ainda que apresentou documentos demonstrando que os Estados Unidos acumulam superávit comercial nas relações com o Brasil. De acordo com Lula, o saldo positivo norte-americano alcançou US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.
Ao comentar a situação, o presidente cobrou explicações de Trump sobre a recomendação apresentada pelo USTR. Lula afirmou esperar uma conversa direta entre os dois líderes para esclarecer os motivos que levaram à divulgação do relatório e discutir alternativas para evitar o agravamento das tensões comerciais entre os países.
O governo brasileiro e empresas potencialmente afetadas poderão apresentar manifestações sobre o relatório até 15 de julho. Após esse prazo, os Estados Unidos decidirão se implementaram ou não as medidas propostas.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

