O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, voltou a se manifestar sobre os pedidos para instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Durante discurso no plenário nesta terça-feira, o parlamentar reclamou das cobranças recebidas de diferentes grupos políticos e afirmou que as investigações já estão sendo conduzidas por órgãos competentes.
Segundo Alcolumbre, ele tem sido alvo de críticas tanto de parlamentares da oposição quanto da base governista por ainda não ter lido o requerimento que formalizaria a criação da comissão. O pedido já reúne o número necessário de assinaturas de deputados e senadores para ser instalado.
Ao abordar o tema, o presidente do Congresso destacou que instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça já estão atuando na apuração dos fatos relacionados ao caso. Ele afirmou que ainda não é possível apontar responsabilidades e que as investigações em andamento devem esclarecer a atuação dos envolvidos.
Alcolumbre também questionou qual órgão teria eventual responsabilidade pelos problemas identificados no caso, citando o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários e agentes privados ligados às operações sob investigação.
Durante o pronunciamento, o senador sinalizou resistência à criação da CPMI. Na avaliação dele, a comissão poderia se transformar em um espaço de disputa política e eleitoral, desviando o foco da apuração dos fatos.
Segundo Alcolumbre, parte dos parlamentares estaria interessada em utilizar a comissão para ampliar embates entre grupos políticos. Ele afirmou que o Congresso não deveria criar novos espaços de confronto partidário em um momento em que outras instituições já conduzem investigações sobre o tema.
O caso envolve o Banco Master, que se encontra sob forte escrutínio após medidas adotadas por autoridades reguladoras e investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio tem provocado repercussões no mercado financeiro e no meio político.
Em meio às discussões, surgiram questionamentos envolvendo a Amapá Previdência (Amprev), fundo de previdência estadual que realizou investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões em títulos ligados à instituição financeira em 2024.
Os aportes foram conduzidos pela direção do fundo de previdência. O presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, declarou anteriormente que assumiu o cargo após convite de Alcolumbre. O senador, por sua vez, nega qualquer participação ou envolvimento nas decisões de investimento relacionadas ao caso.
Apesar da pressão de parlamentares favoráveis à CPMI, Alcolumbre não indicou mudança de posição e reiterou que as investigações já em curso devem prosseguir normalmente pelas autoridades competentes.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

