O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Estado brasileiro precisa garantir que as políticas públicas cheguem efetivamente às populações mais pobres, independentemente de onde elas estejam. A declaração foi feita durante a abertura da Caravana Federativa, realizada em Belo Horizonte, iniciativa do governo federal voltada à integração de serviços e ao atendimento direto das demandas dos municípios.

Durante o discurso, Lula destacou que a desigualdade social deve ser enfrentada como prioridade permanente do poder público. “Nós temos que nos indignar com as desigualdades”, afirmou. Segundo ele, a proposta da caravana é aproximar os entes federativos e permitir que prefeitos e gestores indiquem onde as ações do Estado são mais urgentes. Para o presidente, o poder público não pode esperar que a população vulnerável se desloque até os serviços.

“Nós temos estrutura de procurar as pessoas para cuidar delas. E é isso que nós estamos fazendo”, declarou Lula, ao defender uma atuação ativa do Estado. Ele ressaltou que políticas públicas só cumprem seu papel quando chegam diretamente a quem mais precisa, sobretudo em regiões historicamente negligenciadas.

O presidente citou como exemplo as dificuldades enfrentadas por moradores do interior de Minas Gerais. “Não vamos esperar que uma pessoa que não tem dente, no Vale do Jequitinhonha, no Vale do Mucuri, tenha tempo de tomar um banho, sair de casa e ir à cidade ao dentista”, argumentou, ao reforçar a importância de levar serviços básicos às comunidades mais distantes.

No mesmo evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a inauguração de um novo centro de radioterapia em Itabira, na região central do Estado. A unidade amplia a oferta de tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde e foi viabilizada com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento. O investimento no Hospital Nossa Senhora das Dores alcançou R$ 13,9 milhões, incluindo obras e equipamentos.

Segundo Padilha, os centros contam com aceleradores lineares e tecnologias avançadas para o tratamento do câncer. Além de Itabira, outras unidades foram inauguradas em Goiânia, São Luís, Marília e Colatina. Somados, os investimentos superam R$ 53,7 milhões e reforçam a rede pública de atendimento oncológico.

O ministro também anunciou a utilização de carretas equipadas para a realização de exames de tomografia, com o objetivo de reduzir filas reprimidas. Outra frente será a carreta da saúde da mulher, que oferecerá serviços como ultrassonografia, exames de colo do útero, mamografia e biópsias para diagnóstico de câncer. Ele mencionou ainda a entrega de 32 novas unidades móveis de saúde bucal. “Agora a unidade móvel vai até a área rural e até a periferia da cidade”, afirmou.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ressaltou que a Caravana Federativa é uma política interministerial. “Ninguém governa sozinho, nós precisamos nos ajudar para governar o Brasil, independente de partido político ou de posição”, disse. Segundo ela, o compromisso do governo é realizar entregas concretas à população.

Em Minas Gerais, a caravana oferece atendimento técnico por meio de balcões de ministérios e órgãos federais, além de oficinas voltadas à qualificação de gestores municipais e estaduais. Estão previstos diálogos sobre programas estruturantes, participação das mulheres nos espaços de poder e ações de reparação pelo crime ambiental na bacia do Rio Doce.

Desde 2023, a Caravana Federativa já passou por diversos estados, incluindo Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Amapá, Piauí e Pará. Lula afirmou que os pobres são frequentemente tratados como “invisíveis” no orçamento público e defendeu a mudança desse padrão. Ele também comentou tensões internacionais e condenou a violência contra mulheres. “Eu acredito mais no poder da palavra do que no poder da arma”, afirmou.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Avatar

administrator