O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira, que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não deve exercer seu mandato a partir do exterior. Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte, o petista classificou como “extremamente necessário” que a Câmara dos Deputados casse o mandato do parlamentar, tema que, segundo disse, já foi tratado diretamente com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“Eu já falei com o presidente Hugo Motta, já falei com vários deputados. É extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro, porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria no mundo”, afirmou Lula, em tom de crítica contundente.
Na noite de quinta-feira, Eduardo encaminhou ofício a Hugo Motta solicitando autorização para exercer o mandato mesmo residindo nos Estados Unidos. Caso não retorne ao Brasil, ele poderá perder automaticamente o mandato se faltar a mais de um terço das sessões previstas para o ano legislativo.
Na semana anterior, tanto Eduardo Bolsonaro quanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram indiciados pela Polícia Federal (PF). Ambos são investigados pelos crimes de coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em razão de supostas articulações para fortalecer sanções impostas ao Brasil pelo governo norte-americano.
Lula também reagiu às tentativas de Eduardo de estimular as medidas restritivas de Washington contra o Brasil. Segundo ele, as justificativas apresentadas pelo presidente norte-americano Donald Trump não se sustentam. “Eduardo Bolsonaro utiliza argumentos equivocados para fomentar a aplicação de sanções ao Brasil. As justificativas são totalmente inverídicas, especialmente no debate sobre a regulação das big techs, em que os Estados Unidos alegam cerceamento à liberdade de expressão”, disse.
O presidente ressaltou que o país seguirá o caminho da regulamentação digital. “É importante o presidente americano compreender que o Brasil tem uma legislação, tem uma Constituição. Todas as empresas, de qualquer nacionalidade, que estejam implantadas no Brasil, devem cumprir a legislação. Nós vamos regular as bigtechs, porque nós queremos defender as nossas crianças”, completou.
Segundo Lula, o Governo Federal pretende enviar na próxima semana ao Congresso Nacional um projeto que dará andamento à regulação das plataformas digitais. Ele destacou que o Parlamento já avançou em parte do tema ao aprovar, na última quarta-feira, a proposta que combate a “adultização” de crianças e adolescentes nas redes sociais, que agora aguarda sanção presidencial.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reforçou que o objetivo central da medida é evitar abusos e proteger consumidores brasileiros. O debate ocorre em sintonia com iniciativas internacionais, uma vez que tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos têm adotado normas de fiscalização mais rígidas para conter a disseminação de notícias falsas, o uso indevido de dados pessoais e práticas consideradas prejudiciais à concorrência.
A entrevista de Lula ocorreu logo após sua chegada a Minas Gerais, onde cumpre agenda em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O presidente anunciou investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltados para ampliar a mobilidade urbana e aprimorar o transporte público. As medidas incluem projetos de BRTs, ônibus elétricos, VLTs, metrôs e corredores exclusivos, além de terminais integrados, ciclovias e sistemas inteligentes de trânsito.
Em Contagem, Lula oficializou a ampliação da malha metroviária da cidade, com a construção de duas novas estações. Também visitou o canteiro de obras de uma nova avenida e inaugurou um corredor viário.
Ainda nesta sexta-feira, o presidente seguiu para Montes Claros (MG), onde participou da inauguração de um centro de tecnologia voltado para o desenvolvimento da macaúba, planta utilizada na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO).
A comitiva presidencial contou com a presença de quatro ministros — Alexandre Silveira (Minas e Energia), Jader Filho (Cidades), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Rui Costa (Casa Civil). Também acompanharam o evento o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama Janja da Silva e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Foto: Ricardo Stuckert / PR

