O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que é preciso “cautela” para que as trocas na presidência da Câmara dos Deputados e no Senado Federal não afetem o funcionamento do governo.
No início do ano que vem, os deputados vão eleger o sucessor de Arthur Lira (PP-AL), enquanto os senadores se reunirão para definir o substituto de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
— Temos uma Câmara que vai trocar de presidente, um Senado que vai trocar de presidente, e tudo isso tem que ter muita cautela para que não tenha nenhuma incidência no funcionamento do governo.
A situação no Senado está mais encaminhada, com a tendência de o governo apoiar Davi Alcolumbre (União-AP), visto como favorito para a vaga. Na Câmara, por sua vez, o cenário é mais embolado. Há três candidatos considerados mais fortes: Elmar Nascimento (União-BA), Antônio Brito (PSD-BA) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). O Palácio do Planalto ainda não definiu a atuação e calcula os riscos para evitar fissuras.
O presidente também afastou a possibilidade de trocas nos comandos dos ministérios, afirmando que não se mexe “em time que está ganhando”.
— Estou muito satisfeito com o trabalho. Todo mundo sabe que quem troca sou eu. Como fui eu que indiquei, se tiver que trocar, eu vou trocar, mas quero dizer para vocês que eu não estou pensando nisso. Em time que está ganhando a gente não mexe, a gente continua o jogo para terminar com uma vitória robusta.
Cobrança a ministros
Ao falar sobre as ações desenvolvidas pelo governo federal desde o começo do mandato, Lula voltou a cobrar políticas que deixem uma marca no governo, afirmando que não pode terminar o mandato “sendo apenas mais um governo”.
— Vamos afinar a viola nas coisas que temos que fazer. Todo mundo tem tarefa determinada, todo mundo tem seu PAC, sua função. Daqui para frente, o que temos que fazer é trabalhar cada vez mais, fazer cada vez mais um esforço, porque é importante vocês trabalharem com a ideia de que a gente não pode terminar o mandato sendo apenas mais um governo. Sai um governo e entra outro governo e as coisas não avançam muito. Eu fico sempre imaginando quantos degraus na escada social o povo pobre vai subir.
Durante a reunião ministerial, Lula afirmou também que quer compartilhar a política de segurança pública com os estados.
— Eu fiz uma reunião com o ministro Lewandowski, fez questão de convidar os ministros que foram governadores de estado, para que a gente prepare o esboço de política de segurança pública na qual o governo federal quer se inserir junto com os estados, para que a gente possa apresentar para a sociedade brasileira uma política de segurança pública que envolva União, Estados e Municípios. […] Não podemos brincar de fazer segurança pública.
Lula completou afirmando que vai convidar os governadores para apresentar o esboço do trabalho de segurança que tem sido traçado pelo Ministério da Justiça.
— A gente quer compartilhar. Não queremos ter ingerência, nem mandar. A gente quer compartilhar ações conjuntas. Eu estou muito otimista. Agora a gente vai convidar os 27 governadores para que a gente possa fazer uma apresentação para eles.
Venezuela na pauta
Lula realiza ao longo desta quinta-feira a segunda reunião ministerial do ano. O encontro, começou às 9h40 no Palácio do Planalto, com a presença de todos os titulares das pastas.
A situação na Venezuela também estará na pauta da reunião. Lula afirmou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, vai apresentar as “celeumas” para encontrar uma solução pacífica.
— Falar um pouco das celeumas que estamos encontrando para encontrar uma solução pacífica para as eleições da Venezuela.
Sobre economia, Lula afirmou que a inflação está “totalmente equilibrada” e falou aos ministros que é um fator “muito importante” para o governo.
— A inflação está totalmente equilibrada. Esse é um dado muito importante. Porque toda vez que alguém fala de inflação eu fico preocupado. Eu sei que é devastador a inflação na vida do trabalhador. É por isso que para nós inflação é um fator importante. Quanto mais baixa, melhor para a sociedade brasileira. Pode ser ruim para um prefeito, um governador que, com a inflação, também ganha um pouco porque aplica recurso. Mas não interessa esse dinheiro. O que interessa é inflação baixa, a economia crescendo, o salário melhorando.
Lula também falou que os números da economia estão “positivos” e afirmou que o país não tem sentido o impacto do preço do dólar.
— Eu acredito que nossos números são muito positivos, apesar da perspectiva de uma crise internacional que o dólar vem causando no mundo inteiro. A gente se mantém muito equilibrado
Todos os ministros falam
A previsão é que todos os ministros falem, com cinco minutos para cada um, o que deve prorrogar a reunião até tarde. A expectativa de auxiliares do presidente é que seja feita uma análise da situação econômica e social do país. Com a aproximação da metade do mandato, o presidente quer ouvir quais os planos de cada pasta para o restante do governo.
De acordo com integrantes do governo, a reunião deve discutir mais o futuro do que o passado. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que foi finalizado no mês passado, também deve ser abordado.
Lula já avisou que pretende cobrar dos ministros para que dados de diferentes órgãos do governo sejam padronizados para poderem ser compartilhados entre as diferentes pastas. O plano recém lançado prevê a criação de um núcleo de IA do governo.
As eleições municipais também devem ser tema do encontro. Na primeira reunião ministerial do ano, em março, Lula havia orientado os seus ministros a viajarem mais para divulgarem as realizações do governo e a deixarem a disputa eleitoral em segundo plano.

