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Nesta semana, entre o primeiro e o segundo turno das eleições legislativas da França, o presidente reeleito em abril, Emmanuel Macron, viajou para discutir assuntos relacionados à guerra. Engana-se quem pensa que, por isso, ele esteve alheio à reta final das campanhas para as eleições legislativas no país.

Como o envolvimento nas relações internacionais durante os primeiros meses de guerra na Ucrânia podem ter contribuído para a sua reeleição, Macron aproveitou para fazer discursos ao longo da viagem, enquanto evidenciou que sua gestão está ativa nas questões mundiais.

E, desta vez, deixando mais claro o apoio à Ucrânia, com uma visita à capital, Kiev, depois de viajar para a Moldova e para a Romênia.

Prestes a pegar o avião para o leste europeu, Emmanuel Macron fez um discurso no aeroporto de Orly, ao Sul de Paris, na terça-feira (14). Citando a guerra, disse que “nada seria pior do que adicionar um caos nacional ao caos mundial”.

Como se fosse um mantra, incentivou os franceses a votarem no próximo domingo “por uma maioria sólida no país”, repetindo a frase para deixar claro o motivo que o levou a fazer o discurso em meio a uma agenda lotada.

Para Macron, é um momento histórico. Perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional seria praticamente enterrar a maior parte dos projetos do executivo nacional.

Além disso, desta vez a oposição tem uma nova cara e novos desafios: a Nupes, coalizão da esquerda radical liderada por Jean-Luc Mélenchon, que enfrentou Macron nas eleições presidenciais e ficou ligeiramente atrás de Marine Le Pen, em terceiro lugar.

“Terceiro turno”

Mélenchon garante que essas eleições legislativas servem como um terceiro turno das presidenciais. Isso porque ele acredita na maioria dos votos para a Nupes e na possibilidade de que ele se torne o primeiro-ministro do país.

Os resultados do primeiro turno, realizado no último domingo (12), apontam para o fato de que é possível que a Nupes ocupe grande parte das cadeiras da Assembleia e que Macron comande o país com uma maioria relativa. No primeiro turno, 25,7% dos eleitores votaram em nomes da bancada presidencial, Em Marcha, enquanto 25,6% votaram na Nupes.

Segundo o instituto francês Ifoo-Fiducial, a bancada de Macron deve compor entre 275 e 310 das 577 cadeiras da Assembleia Nacional. A previsão é de que entre 180 e 210 outras cadeiras passem a pertencer a candidatos da Nupes.

Os nomes da esquerda radical passaram para o segundo turno em 67% dos distritos de votação. Em mais da metade, a disputa é direta entre Nupes e Em Marcha. Por isso, o discurso presidencial deixou de citar o Reagrupamento Nacional, de direita, como o maior opositor da bancada do governo. Agora, a grande briga é entre Macron e Mélenchon.

Provocações

Em entrevista ao jornal francês Le Parisien, Mélenchon disse que a viagem de Macron ao leste europeu foi um “desprezo aos eleitores” e que o discurso no aeroporto foi uma “encenação ao estilo Trump”.

Ainda em terras romenas, o presidente francês fez uma pausa nas atividades da agenda para responder oficialmente ao adversário político. “Ser presidente da República é também ser chefe do exército”, disse Macron.

O presidente francês aproveitou para criticar as apostas do esquerdista radical, que apoia Vladimir Putin na Rússia, é a favor do desinvestimento da polícia e do aumento de impostos.

Nova configuração política

Na briga de partidos pela maioria na Assembleia Nacional, Marine Le Pen se tornou coadjuvante. Mesmo assim, opinou sobre os discursos de Macron: “A declaração dele é doentia. Ele pede para os franceses darem a ele amplos poderes, mas os franceses não querem fazer isso”.

Le Pen, segundo lugar nas eleições presidenciais, conquistou 55% dos votos na primeira fase das legislativas no último domingo. Apesar de ter obtido a maioria dos votos no distrito de Pas-de-Calais, devido à grande abstenção ela compete de novo no dia 19.

As pesquisas de intenção de voto indicam que o partido dela, o Reagrupamento Nacional, deve conquistar cerca de 25 cadeiras do Palácio Bourbon, o que coloca a direita como um grupo de oposição à bancada presidencial, mas uma voz menos determinante do que a nova oposição liderada por Mélenchon.

A Assembleia Nacional deixará de ser bipolar, entre deputados de base e de oposição. Passará a ser tripolar, com duas diferentes oposições, à direita e à esquerda radical.

Os números indicam que, provavelmente, as eleições do próximo domingo vão fazer com que os próximos cinco anos de mandato de Macron sejam muito diferentes do que os anteriores.

 

 

 


Paola Tito

editor

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