A maioria dos brasileiros acredita que a associação a Donald Trump pode ser prejudicial a um candidato à Presidência da República em 2026. Segundo a pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipespe, divulgada nesta quinta-feira, 53% dos entrevistados afirmam que o apoio ou a proximidade do presidente dos Estados Unidos enfraquece o postulante que for aliado do norte-americano. Em contrapartida, 32% consideram que a relação com Trump é positiva e fortalece o candidato. Outros 14% não souberam ou preferiram não responder.

O levantamento foi realizado após Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que gerou forte repercussão. A pesquisa revela que metade dos brasileiros (50%) aprova a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à decisão, enquanto 46% desaprovam e 5% não opinaram. A condução do governo na crise comercial, portanto, obteve respaldo significativo da população.

No ranking de aprovação de autoridades com base em comportamento e declarações, Lula lidera com 50% de aprovação, seguido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (42%) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (38%). Já o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, registraram 32% de aprovação. Bolsonaro, porém, enfrentou desaprovação de 60% dos entrevistados.

Sobre a decisão de Trump de revogar os vistos de entrada nos Estados Unidos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), 57% dos brasileiros disseram discordar da medida, enquanto 37% concordam com a retaliação. Outros 6% não souberam ou preferiram não responder.

A pesquisa também abordou a opinião pública sobre a taxação das grandes plataformas digitais. Segundo os dados do Ipespe, 55% dos brasileiros se mostram favoráveis à cobrança de impostos sobre as chamadas big techs, 40% são contrários e 5% não souberam ou não quiseram responder.

O instituto ainda destacou que, para justificar o aumento tarifário contra o Brasil, Trump divulgou uma carta em sua rede Truth Social, em que classificou o julgamento de Bolsonaro no Supremo como “inaceitável” e acusou o país de promover “ataques insidiosos” contra as eleições livres e a liberdade de expressão nos Estados Unidos. Na mesma publicação, ele mencionou suposta censura a plataformas digitais americanas, o que também teria influenciado sua decisão.

A pesquisa Pulso Brasil foi realizada entre os dias 19 e 22 de julho com 2.500 entrevistados com 16 anos ou mais. As entrevistas foram feitas por telefone e internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95,45%.

Foto: Chip Somodevilla


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