Mais de 90% dos manifestantes que participaram do ato bolsonarista realizado neste domingo na Avenida Paulista declararam apoio ao impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento foi realizado pelo Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common.
No caso de Dias Toffoli, 93% dos entrevistados afirmaram ser completamente favoráveis ao impeachment. Outros 4% disseram ser parcialmente favoráveis. Já 2% se declararam completamente contra e 2% afirmaram não saber responder. Nenhum participante se posicionou como parcialmente contra.
Em relação a Alexandre de Moraes, principal alvo do bolsonarismo nos últimos anos, 95% afirmaram ser completamente favoráveis ao impeachment. Outros 2% disseram ser parcialmente favoráveis, 1% parcialmente contra, 2% completamente contra e 1% não soube responder.
A pesquisa realizou 704 entrevistas entre 13h e 17h ao longo de toda a extensão ocupada da Avenida Paulista, com distribuição dos pesquisadores em diferentes pontos e horários distintos, a fim de garantir maior representatividade do público presente.
O ato, intitulado Acorda Brasil, foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com foco em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos ministros Moraes e Toffoli. Manifestações ocorreram em pelo menos 20 capitais, além do Distrito Federal.
Quando convocou o protesto pelas redes sociais, o parlamentar afirmou que o tema ficaria restrito ao slogan “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. A definição gerou desconforto em setores do bolsonarismo que defendem uma estratégia mais moderada para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Diante disso, os organizadores também incluíram pedidos de anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro.
O levantamento também questionou os manifestantes sobre a disputa presidencial de 2026. Entre os entrevistados, 74% afirmaram preferir que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja o candidato da direita ao Palácio do Planalto.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi citado por 10% dos presentes. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apareceu com 4%. Outros 9% mencionaram nomes diversos, 3% disseram não ter preferência e 1% declarou não saber.
O perfil do público indicou predominância masculina, com 62% de homens. Em termos ideológicos, 77% se definiram como muito de direita. Em relação a valores sociais, 67% afirmaram ser muito conservadores quanto a família e sexualidade. No quesito religião, 49% declararam ser católicos.
A estimativa de público na Avenida Paulista foi de 20,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político. Considerando a margem de erro de 12%, equivalente a 2,4 mil pessoas para mais ou para menos, o ato pode ter reunido entre 18 mil e 22,9 mil participantes no horário de pico, registrado às 15h53.
A contagem foi feita com base em 5 imagens aéreas captadas por drone em horários distintos. As fotos foram analisadas com software de inteligência artificial utilizando o método Point to Point Network, conhecido como P2PNet, que identifica automaticamente as cabeças das pessoas nas imagens.
Segundo os pesquisadores, o sistema apresenta precisão de 72,9% e acurácia de 69,5% na identificação individual. A metodologia é a mesma empregada em atos anteriores na Avenida Paulista.
Entre as manifestações já contabilizadas pelo grupo de pesquisa no local, esta foi a segunda com menor público. O menor registro anterior ocorreu em agosto de 2025, quando 37,6 mil pessoas participaram de um ato no mesmo endereço.
No Rio de Janeiro, outro protesto realizado no mesmo domingo, na Praia de Copacabana, reuniu 4,7 mil pessoas, segundo o mesmo levantamento. Foi o menor ato bolsonarista já registrado pelo estudo na capital fluminense. O recorde anterior considerado o mais baixo havia sido de 18,3 mil manifestantes, em março do ano passado.
O protesto na Paulista foi o primeiro desde que Flávio Bolsonaro foi oficialmente definido como pré-candidato à Presidência da República com o aval do pai.
Estiveram presentes lideranças como o pastor Silas Malafaia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. O governador Tarcísio de Freitas não compareceu porque viajou para a Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia.
Último a discursar no caminhão de som, Flávio Bolsonaro defendeu a derrubada do voto do PL da Dosimetria, fez críticas ao presidente Lula e abordou o STF sem citar nominalmente ministros.
Ele afirmou que todos são favoráveis ao impeachment de qualquer ministro que descumpra a lei, mas disse que isso não ocorre por falta de maioria no Senado. Também declarou que o alvo nunca foi o Supremo como instituição, mas que, segundo ele, a democracia estaria sendo prejudicada sob o argumento de defendê-la para atingir Jair Bolsonaro.
Todos os dados apresentados foram levantados com a mesma metodologia pelo grupo Monitor do Debate Político, da Cebrap/USP, em parceria com a More in Common.
Foto: Márcia Foletto

