O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, publicou nesta sexta-feira uma crítica direta ao cenário político da direita após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. Em suas redes sociais, Malafaia afirmou que “o amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas”, acrescentando ainda que “não estou falando nem contra e nem a favor de ninguém. Somente isto”. A manifestação ocorreu poucas horas depois de Flávio confirmar que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para liderar o projeto político do grupo nas próximas eleições.

A confirmação da pré-candidatura reacendeu discussões internas no campo conservador e provocou reações nas redes sociais. Usuários resgataram episódios da campanha de 2016 e críticas recentes ao desempenho público do senador. O anúncio também ampliou divergências dentro do próprio bolsonarismo, especialmente em meio às disputas por influência e condução estratégica do grupo.

Segundo Flávio Bolsonaro, a indicação foi feita durante visita ao pai, preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em mensagem divulgada por sua equipe, o senador declarou ter recebido “a missão” de dar continuidade ao legado do ex-presidente. Ele afirmou: “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”.

A declaração consolida um movimento que já vinha sendo defendido por dirigentes do PL, que consideram que apenas um integrante da família Bolsonaro teria força suficiente para unificar o partido diante de disputas internas e pressões regionais. A partir de agora, Flávio será orientado a intensificar viagens pelo país, ampliar críticas ao governo Lula e atuar na montagem de palanques estaduais para as eleições de 2026.

A escolha, no entanto, tensiona o campo conservador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, até então visto como o nome mais competitivo do grupo, nunca demonstrou disposição para concorrer ao Planalto, tampouco para integrar uma chapa como vice. Nos bastidores, parte do PL avalia que a viabilidade eleitoral de Flávio é incerta e interpreta a decisão como uma tentativa de Jair Bolsonaro manter o controle político mesmo estando preso.

O anúncio ocorre após um episódio recente de desgaste entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que venceu uma disputa interna sobre alianças no Ceará e foi criticada publicamente por Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro por se posicionar contra a aproximação do grupo com Ciro Gomes no estado.

A fala de Malafaia se insere em um ambiente de ruídos, insatisfações e disputas estratégicas. Embora historicamente aliado de Bolsonaro, o pastor já declarou em outras ocasiões que é “aliado, não alienado”, e tem criticado posições políticas que considera equivocadas.

Foto: Edilson Dantas


Avatar

administrator