O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve após cair dentro da cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A informação foi confirmada pelo médico Brasil Caiado, um dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento clínico do ex-mandatário, durante entrevista concedida nesta quarta-feira. Após o episódio, Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star para a realização de exames, depois de autorização concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Segundo o médico, a queda ocorreu durante a madrugada, quando Bolsonaro se levantou e tentou caminhar dentro do quarto onde está custodiado. “Na madrugada de ontem, o presidente apresentou uma queda dentro de seu quarto da superintendência. Inicialmente, pensamos que fosse uma queda da cama, mas, posteriormente, conversando com ele e relembrando os fatos, isso nos leva a crer que ele levantou, tentou caminhar e caiu”, afirmou Brasil Caiado a jornalistas.
Bolsonaro passou por exames de imagem no hospital particular e, após a avaliação médica, retornou à Superintendência da Polícia Federal, localizada a poucos quilômetros da unidade de saúde. Um boletim divulgado pelo DF Star confirmou o diagnóstico de traumatismo craniano leve, sem indicação de necessidade de procedimentos mais complexos ou intervenção cirúrgica.
“Foi evidenciado nos exames de imagem leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica. Deverá seguir cuidados clínicos conforme definição da equipe médica assistente”, diz o texto assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini, que também acompanha o ex-presidente.
De acordo com Brasil Caiado, a queda pode estar associada a episódios de desorientação provocados pela interação entre diferentes medicamentos utilizados por Bolsonaro. “Há uma suspeita inicial de que possa ser a interação medicamentosa. O presidente faz uso de vários remédios para o tratamento da crise de soluços. Se esses quadros forem recorrentes, colocam o presidente em uma zona de maior risco”, explicou.
Há menos de uma semana, Bolsonaro havia recebido alta do mesmo hospital, onde permaneceu internado por oito dias. Durante esse período, ele foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e a outros procedimentos médicos voltados ao controle de crises persistentes de soluços.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

