O ex-presidente Jair Bolsonaro deverá ser encaminhado nesta terça-feira ao hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames após sofrer um traumatismo cranioencefálico leve durante a madrugada, enquanto estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal. A informação foi confirmada pelo médico Cláudio Birolini, que acompanha o estado de saúde do ex-presidente e afirmou que a equipe médica avalia o quadro com cautela diante do histórico clínico recente.
Segundo Birolini, Bolsonaro sofreu uma queda dentro da unidade policial, o que levou ao diagnóstico de traumatismo craniano leve. O médico ressaltou que episódios desse tipo exigem atenção redobrada. “Em vista da situação em que ele se encontra, quedas com traumatismos são uma de nossas maiores preocupações. Já havíamos alertado sobre esse risco”, declarou o profissional responsável pelo acompanhamento.
A Polícia Federal informou que Bolsonaro foi examinado inicialmente por um médico da própria corporação, que não identificou necessidade imediata de encaminhamento hospitalar. Em nota, a PF explicou que o ex-presidente foi atendido na manhã desta terça-feira após relatar à equipe de plantão que havia sofrido uma queda durante a madrugada, permanecendo sob observação clínica.
A informação sobre o episódio veio a público inicialmente por meio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que relatou nas redes sociais que o ex-presidente teve uma crise de soluços enquanto dormia, caiu e bateu a cabeça em um móvel. Diante do relato e do histórico médico, a equipe que acompanha Bolsonaro decidiu pela realização de exames fora da unidade prisional, para avaliação mais detalhada.
De acordo com Michelle, como Bolsonaro está detido em uma sala especial da Polícia Federal, o atendimento médico só teria ocorrido após ele ser chamado para a visita. Ela esteve na superintendência na manhã desta terça-feira e informou que aguardava a chegada de um delegado para esclarecer como foram prestados os primeiros socorros. Integrantes da Polícia Federal, ouvidos sob reserva, afirmaram que houve atendimento imediato no local e minimizaram a gravidade do episódio.
Além de Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e se deslocou até a unidade da Polícia Federal para realizar uma avaliação clínica do ex-presidente antes da eventual transferência para o hospital. A equipe médica busca identificar se houve qualquer impacto neurológico associado à queda.
“Na manhã desta terça-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu atendimento médico após relatar à equipe de plantão que havia sofrido uma queda durante a madrugada. O médico da Polícia Federal constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação”, diz a nota oficial divulgada pela corporação.
A Polícia Federal informou ainda que a remoção para um hospital depende de autorização do Supremo Tribunal Federal, responsável por decisões relacionadas às condições de custódia do ex-presidente.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro afirmou que encontrou o pai atordoado, com hematoma no rosto e sangramento nos pés após a queda. Em publicação nas redes sociais, ele relatou que a família só tomou conhecimento do episódio na manhã seguinte e criticou o que classificou como demora na autorização para que Bolsonaro fosse levado ao hospital para a realização dos exames necessários.
O episódio ocorre poucos dias após Bolsonaro apresentar melhora no estado de saúde. Na semana passada, ele recebeu alta do hospital DF Star, onde ficou internado por nove dias após passar por cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante a internação, iniciada em 24 de dezembro e encerrada no primeiro dia do ano, o ex-presidente também foi submetido a um bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para conter crises persistentes de soluços, associadas pelos médicos a complicações decorrentes da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Desde o retorno à custódia da Polícia Federal, no dia 1º de janeiro, aliados relataram evolução clínica considerada positiva, com redução das crises de soluço. Ainda assim, pessoas próximas afirmam que Bolsonaro vinha se queixando de dificuldades para dormir, atribuídas ao funcionamento contínuo e ao ruído do sistema de ar-condicionado da unidade, situação que foi levada à análise do Supremo.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

