O Mercosul decidiu criar uma comissão permanente voltada ao combate ao crime organizado transnacional, iniciativa anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante a cúpula do bloco realizada neste sábado, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Segundo o chanceler, o novo colegiado reunirá representantes de diferentes órgãos de segurança e Justiça dos países membros, com o objetivo de ampliar a cooperação regional diante do avanço das organizações criminosas.

“Estamos convencidos de que daremos um salto qualitativo em nossa segurança pública, com efeitos concretos no cotidiano dos cidadãos do Mercosul”, afirmou Vieira ao discursar no encontro de chefes de Estado e ministros.

A comissão contará com integrantes dos ministérios da Justiça e da Segurança Pública, do Interior, membros do Ministério Público, forças policiais e especialistas nas áreas de lavagem de dinheiro e recuperação de ativos. A proposta é integrar informações, padronizar procedimentos e fortalecer ações conjuntas de inteligência.

De acordo com o chanceler brasileiro, a criação do grupo faz parte da estratégia do Mercosul para enfrentar o crime organizado transnacional, em um contexto de expansão das facções no continente e de crescente complexidade das rotas ilícitas. O tema ganhou maior centralidade no atual governo brasileiro diante do domínio territorial e da sofisticação operacional dessas organizações.

“Esse plano vai orientar o trabalho das autoridades na prevenção, investigação e repressão dos crimes, explorando sinergias e capacidades já existentes entre os países”, destacou Vieira.

A reunião em Foz do Iguaçu marca o encerramento da presidência temporária do Mercosul exercida pelo Brasil. Havia expectativa de que o encontro resultasse na assinatura do acordo comercial com a União Europeia, mas resistências internas em países como Itália e França adiaram a conclusão das negociações.

Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participam da cúpula os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi. A Bolívia é representada por seu chanceler.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Avatar

administrator