Em greve, o metrô de Belo Horizonte não está funcionando nesta quinta-feira, 25 de agosto, e não há escala mínima para as operações. Os portões estão fechados e os trens urbanos não estão circulando.
Cerca de 100 mil usuários do transporte público serão afetados por causa da paralisação dos metroviários, que acontece por tempo indeterminado.
A greve foi iniciada após o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar as condições para a desestatização da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em Belo Horizonte.
Passageiros são surpreendidos por greve no metrô de BH
Usuários que não sabiam da paralisação foram pegos de surpresa. É o caso do carpinteiro Márcio Vinícius, 32, que mora em Ibirité. Ele iria embarcar na estação Eldorado e descer na Vilarinho. “Preciso chegar no serviço às 7h e agora não sei como fazer”. Ele chegou às 5h40 e viu os portões fechados.
O auxiliar de serviços gerais André Luiz também foi surpreendido com a greve. Ele é usuário do metrô e precisa do transporte público para se deslocar de Ribeirão das Neves até Betim, onde trabalha. André disse que certamente irá se atrasar para o serviço. “Agora vou ter que pegar dois ônibus, vou até tirar foto para enviar para o meu patrão”, justificou.
A paralisação do metrô teve reflexos nas estações de ônibus na capital. Na Estação São Gabriel, na região Nordeste, são muitos os passageiros que esperam pelas viagens e os coletivos saem lotados. A comerciária Rosângela Santos, de 45 anos, que utiliza o ônibus da linha 1502 (Guarani/Vista Alegre), lamentou a situação. “Com a greve do metrô a gente fica prejudicado. O ônibus já chegou lotado. O primeiro nem parou de tão cheio que estava. Vou chegar atrasada. Tem mais é que privatizar o metrô mesmo”, disse.
Segundo a BHTrans, empresa responsável pelo transporte público e mobilidade em Belo Horizonte, existe um plano de reforço das linhas que atendem as estações Vilarinho e São Gabriel. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitanos (SINTRAM), a linha E019 – Estação Eldorado/Belo Horizonte foi reativada para atender os passageiros que dependem do metrô em Contagem.
A Greve
A paralisação já havia sido aprovada em assembleia da categoria realizada na última segunda-feira (22). Segundo Daniel Glória Carvalho, presidente do sindicato que representa os metroviários, a consequência da privatização será a demissão de quase 1,6 mil funcionários da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) que atuam em Minas Gerais.
Após a CBTU-BH ajuizar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) um pedido liminar para tentar impedir a greve do metrô, a empresa teve o pedido negado inicialmente pela Justiça, que determinou que uma audiência seja realizada na tarde do primeiro dia do movimento paredista.
Na ação movida pela CBTU, a empresa pedia uma liminar para “impedir a efetivação do movimento paredista” e que fosse “determinada a manutenção de toda a operação (atividades operacionais, administrativas, manutenção e segurança), em conformidade com as escalas de trabalho e de viagens de trens”.
A companhia ainda pedia que a Justiça do Trabalho aplicasse uma multa diária de R$ 1 milhão e que o Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro-MG) fosse notificado da decisão por “mandado de urgência”.

