A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem intensificado sua atuação política dentro do Partido Liberal ao trabalhar pela formação de uma bancada de mulheres no Senado Federal, ao mesmo tempo em que avalia sua própria candidatura pelo Distrito Federal. A movimentação ocorre em meio à reorganização interna da legenda e à tentativa de ampliar a presença feminina em posições estratégicas, especialmente no Legislativo federal.
À frente do PL Mulher, Michelle tem atuado diretamente na articulação de nomes próximos para disputar vagas no Senado nas eleições deste ano. Entre as principais aliadas incentivadas por ela estão as deputadas federais Caroline de Toni, por Santa Catarina, Bia Kicis, pelo Distrito Federal, além de Priscila Costa, no Ceará, e Rosana Valle, em São Paulo. A ex-primeira-dama também apoia candidaturas fora do partido, como a da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e da professora Maria do Carmo, no Amazonas, ampliando sua influência para além da sigla.Mesmo com a redução de sua agenda partidária após mudanças na situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle manteve protagonismo nas decisões internas do partido. Sua atuação foi decisiva, por exemplo, na confirmação da candidatura de Caroline de Toni ao Senado. Inicialmente preterida pela direção da legenda, a deputada teve o nome consolidado após pressão interna e apoio público da ex-primeira-dama.
A intervenção de Michelle ocorreu em um momento de indefinição na composição da chapa, quando havia a previsão de outros nomes ocuparem a vaga. Após manifestações de apoio e articulações políticas, a candidatura foi revista, demonstrando a capacidade de influência da ex-primeira-dama dentro da estrutura partidária. O episódio reforçou a percepção, entre aliados e adversários, de que Michelle exerce papel central na definição das estratégias eleitorais do PL.
No Distrito Federal, a tendência é que o partido lance uma chapa majoritariamente feminina para o Senado. A estratégia ganhou força após o rompimento entre o PL e o governador Ibaneis Rocha, o que alterou os planos da legenda na região. Com isso, Michelle e Bia Kicis despontam como os principais nomes para a disputa, enquanto Celina Leão surge como candidata ao governo local com apoio do partido.
A proximidade entre Michelle e essas lideranças tem sido apontada como um fator determinante para a consolidação do grupo político. A ex-primeira-dama mantém interlocução constante com as aliadas e participa ativamente das decisões sobre candidaturas e alianças, buscando fortalecer uma rede de apoio alinhada às suas diretrizes.
Apesar da influência crescente, Michelle também enfrenta críticas internas no partido. Parte da cúpula do PL avalia que ela tem dedicado pouca atenção à articulação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto. Em resposta às críticas, o senador tem afirmado que a ex-primeira-dama deverá se engajar na campanha em momento oportuno.
A definição sobre a candidatura de Michelle ao Senado ainda depende de fatores pessoais e políticos, incluindo a situação de saúde de Jair Bolsonaro. Pessoas próximas relatam que a ex-primeira-dama tem adotado cautela e afirmado que seu futuro político será decidido conforme as circunstâncias, mantendo, por enquanto, uma postura de observação.
No Nordeste, Michelle declarou apoio à vereadora Priscila Costa como possível candidata ao Senado pelo Ceará, embora o partido ainda não tenha oficializado a decisão. Já no Amazonas, a professora Maria do Carmo conta com o respaldo da ex-primeira-dama para disputar o governo estadual, reforçando a estratégia de ampliar a presença feminina em cargos majoritários.
Em São Paulo, a deputada Rosana Valle aparece como uma das opções apoiadas por Michelle para a disputa ao Senado, embora ainda avalie a possibilidade de buscar a reeleição. A indefinição na composição da chapa no estado mantém abertas as negociações internas, com diferentes grupos disputando espaço dentro do partido.
Além das articulações para o Senado, Michelle também atua na formação de uma base de apoio na Câmara dos Deputados. A ex-primeira-dama tem incentivado e apoiado candidaturas femininas em diversos estados, buscando consolidar uma bancada alinhada às pautas defendidas pelo PL Mulher. Entre as parlamentares apoiadas estão Coronel Fernanda, Soraya Santos, Roberta Roma, Daniela Reinehr, Chris Tonietto, Julia Zanatta e Rosângela Reis.
Outro movimento relevante foi a filiação da deputada Carla Dickson ao Partido Liberal. A parlamentar, que anteriormente integrava outra legenda, passou a contar com o apoio direto de Michelle para disputar a reeleição, ampliando a base de candidatas vinculadas ao grupo político da ex-primeira-dama.
A atuação de Michelle Bolsonaro evidencia uma estratégia de fortalecimento político baseada na ampliação da participação feminina e na consolidação de alianças internas. Ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama busca equilibrar sua presença pública com questões pessoais e familiares, mantendo cautela diante das incertezas do cenário eleitoral.
O avanço dessa articulação deverá influenciar diretamente a composição das chapas do PL nas eleições e o posicionamento do partido no cenário nacional. A construção de uma bancada feminina no Senado representa não apenas uma mudança na dinâmica interna da legenda, mas também um movimento com potencial impacto na configuração política do Congresso Nacional nos próximos anos.
Foto: Divulgação/ PL

