A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se pronunciou na madrugada desta quinta-feira, logo após o voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se posicionou pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na ação penal sobre a trama golpista. Sem mencionar diretamente o nome do magistrado, Michelle destacou em suas redes sociais que, quando “a coerência e o senso de justiça” prevalecem, não existe espaço para “julgamentos parciais” ou perseguições. Ela também compartilhou trechos do voto proferido por Fux durante a sessão.

“Quando a coerência e o senso de justiça prevalecem sobre a vingança e a mentira, não há espaço para perseguições cruéis nem julgamentos parciais”, escreveu a líder do PL Mulher, em clara referência ao posicionamento do ministro do STF. O pronunciamento ocorreu logo após a apresentação do voto, que teve duração de aproximadamente doze horas, na tarde de quarta-feira.

Fux abriu divergência na Primeira Turma do STF ao defender que não existem provas concretas que apontem Jair Bolsonaro como líder de uma tentativa de golpe de Estado. Com essa manifestação, o julgamento ficou em dois votos a um pela condenação do ex-presidente, uma vez que os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino já haviam votado anteriormente pela condenação.

Durante a leitura do voto, Michelle publicou versículos bíblicos relacionados à mentira e à injustiça. Entre eles, um trecho do livro de Provérbios, capítulo seis, versículos dezesseis a dezenove, que cita situações como orgulho, falsidade, derramamento de sangue inocente e propagação de discórdia.

Na fundamentação de sua decisão, Fux apresentou três pontos principais. O primeiro foi a ausência de comprovação do envolvimento direto de Bolsonaro nos atos de oito de janeiro, data em que ocorreram episódios de violência. O segundo foi a desqualificação dos ataques feitos pelo ex-presidente ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, entendendo-os como manifestações políticas e não como incentivo à ruptura institucional. Por fim, apontou fragilidades na ligação do ex-presidente com evidências materiais, como planos de assassinato de autoridades e versões de minutas golpistas.

Em contraste, Alexandre de Moraes e Flávio Dino defenderam a condenação de Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

Apesar de absolver Bolsonaro, Fux votou pela condenação do general Braga Netto e do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, por participação na tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. O ministro também criticou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apontando falhas na descrição dos fatos e na imputação dos crimes, que, segundo ele, poderiam até mesmo justificar a anulação do processo.

Foto: Eduardo Valente

 


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