A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve na manhã desta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que deve passar por uma cirurgia nos próximos dias. Michelle possui autorização judicial para realizar visitas às terças e quintas-feiras, conforme regras estabelecidas no período de custódia do ex-chefe do Executivo.

O procedimento cirúrgico já recebeu aval do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas a data exata ainda depende de comunicação formal da defesa. Os advogados precisam apresentar o cronograma definitivo para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste, conforme determinado pelo relator do caso.

Bolsonaro será submetido a uma cirurgia para correção de uma hérnia inguinal bilateral, conforme detalhado em nota médica divulgada no domingo. O documento é assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, responsáveis pelo acompanhamento clínico do ex-presidente. Segundo os médicos, exames clínicos e de imagem confirmaram a necessidade da intervenção, que exigirá internação hospitalar.

O ex-presidente está preso desde 22 de novembro na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão imposta pelo STF, em razão de condenação por tentativa de golpe de Estado. Desde então, Bolsonaro permanece sob monitoramento e com acesso a atendimentos médicos, conforme decisões judiciais.

De acordo com a equipe médica, os exames indicaram que parte do intestino se projeta para fora da parede abdominal durante a chamada manobra de Valsalva, que eleva a pressão interna do abdômen. “Diante dos achados clínicos e de imagem, ele será submetido ao tratamento cirúrgico denominado herniorrafia inguinal bilateral”, afirma a nota divulgada pelos profissionais de saúde.

Além da cirurgia principal, os médicos programaram a realização de um procedimento complementar denominado bloqueio anestésico do nervo frênico, responsável pelo movimento do diafragma. A iniciativa busca controlar crises persistentes de soluço, que não apresentaram resposta satisfatória aos tratamentos medicamentosos adotados até o momento.

“Considerando a presença de soluços persistentes e refratários ao tratamento medicamentoso instituído, está programado, durante o período de internação hospitalar, a realização de bloqueio anestésico do nervo frênico, com a finalidade de atenuar as crises de soluços”, acrescenta o comunicado médico.

A nota não informa a data exata da cirurgia nem o tempo estimado de internação, mas deixa claro que Bolsonaro permanecerá hospitalizado para a realização dos dois procedimentos. A autorização judicial para a cirurgia foi concedida após perícia da Polícia Federal apontar a necessidade da intervenção.

O laudo pericial concluiu que a cirurgia deve ocorrer “o mais breve possível”, embora classificada como procedimento “de caráter eletivo”. Com base nisso, Moraes avaliou que não há urgência imediata, cabendo à defesa indicar a data adequada. A hérnia inguinal ocorre quando tecido abdominal se projeta por um ponto enfraquecido da musculatura da virilha, formando uma protuberância que pode causar dor e desconforto.

Foto: Brenno Carvalho


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