O tenente-coronel Márcio Nunes Resende Júnior, réu na ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a ausência de posicionamento do Exército diante dos acampamentos montados por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro contribuiu para a radicalização dos manifestantes. Durante interrogatório conduzido pelo juiz auxiliar do ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (28), o oficial apontou que o silêncio da Força criou um “vácuo de poder” perigoso.

Houve um erro grande. Houve um silêncio ensurdecedor por parte do Exército. Não gostaria de estar aqui criticando a instituição que servi por 33 anos, sem nenhuma mágoa. Mas, com aquele pessoal acampado ali na frente dos quartéis, achando que teria alguma coisa… esse vazio deixava os manifestantes cada vez mais…”, declarou Resende Júnior.

Integrante do grupo de militares conhecido como “kids pretos”, Resende Júnior disse que a omissão do comando militar alimentou entre os manifestantes a falsa impressão de que haveria apoio das Forças Armadas a uma ruptura institucional.

“Do jeito que estava ali, se Bolsonaro fosse à TV e dissesse que estava acionando o artigo 142 [da Constituição], aquilo virava um ‘barata voa’. Poderia perder o controle da situação. Um informativo do Exército ali seria importante”, acrescentou o militar.

Segundo ele, os discursos que predominavam nos acampamentos, especialmente diante do Quartel-General do Exército, eram inflamados por parlamentares e apoiadores de Bolsonaro, o que agravava a expectativa de intervenção.

O Exército não estava apoiando. É claro que não. Mas esse silêncio poderia ter consequências ruins”, disse.

O tenente-coronel é um dos militares denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que sustenta haver um núcleo das Forças Armadas envolvido na tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Rosinei Coutinho/STF

 


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