A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), integrante da base aliada do governo federal, cobrou explicações do Ministério das Relações Exteriores sobre a saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês). A entidade foi criada para preservar a memória do genocídio judeu e combater o antissemitismo em nível global.
A parlamentar, que pertence ao mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, protocolou um pedido formal com seis questionamentos dirigidos ao ministro Mauro Vieira. Entre eles, estão: “quais razões motivaram a decisão”, “quando e como o Itamaraty comunicou oficialmente a decisão aos órgãos competentes e à sociedade civil”, e “se houve consulta a representantes da comunidade judaica”.
Tabata também quer saber “quais critérios foram considerados para avaliar os impactos da permanência ou da saída”, “que estratégias o governo pretende adotar para manter o combate ao antissemitismo” e “como a decisão se alinha aos compromissos internacionais em direitos humanos”.
“É urgente esclarecer o motivo de o Brasil abandonar um pacto que trata da preservação da memória de um dos maiores horrores da história” — afirmou.
A cobrança ocorre após o governo de Israel informar, no último dia 24, que o Brasil havia deixado a IHRA. O fato foi confirmado por fontes do Itamaraty, que justificaram a decisão com base na “adesão precipitada” feita durante o governo Jair Bolsonaro, em 2021. Os diplomatas brasileiros alegam, nos bastidores, que a permanência exigiria compromissos financeiros que o Brasil preferiu não assumir neste momento.
Apesar disso, a saída coincide com a decisão do governo Lula de aderir à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza.
Questionado sobre uma possível relação entre os dois episódios, o Itamaraty negou vínculo direto entre a saída da aliança e a ação judicial em Haia.
“A decisão não tem relação com a Corte Internacional. Trata-se de revisão de posicionamento herdado do governo anterior” — disseram fontes diplomáticas.
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

