Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram que um grupo de militares, em conversas no WhatsApp, demonstrava confiança de que não enfrentariam punições por suas ações relacionadas a um plano golpista. Em um diálogo de 4 de janeiro de 2023, um integrante do grupo expressou que o ministro Alexandre de Moraes, relator no STF, evitaria lidar com o caso para evitar instabilidade. “Imagina o AM [Alexandre de Moraes] mexendo nesse vespeiro! Imagina dentro da própria Força essa eventual caça às bruxas! = apagar fogo com gasolina”, escreveu.

As conversas ocorreram no grupo chamado “Dossss!!!”, administrado, entre outros, pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Segundo a PF, o grupo entrou no radar das investigações após um membro postar uma carta que pressionava o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir ao plano golpista. “E aí, agora todos colocaremos o nome nessa rela aí. Ou seremos leões de Zap”, escreveu o militar, em tom de desafio.

Apesar da pressão, Freire Gomes e o comandante da Aeronáutica, Baptista Junior, recusaram-se a participar da conspiração, conforme revelam as investigações. No entanto, as mensagens registram intenções preocupantes. Em um dos diálogos, um integrante perguntou: “Vai ter careca sendo arrastado por blindado em Brasília?”, em clara referência a Alexandre de Moraes.

O grupo “Dossss!!!” reunia cerca de 90 militares, muitos ligados às Forças Especiais, conhecidos como “kids pretos”. De acordo com a PF, pelo menos seis desses militares estavam envolvidos em um plano para capturar e “neutralizar” Moraes, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

As mensagens foram incluídas no inquérito sobre a tentativa de golpe, cujos anexos se tornaram públicos nesta semana. Ao todo, a PF indiciou 37 pessoas por tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. As informações revelam a extensão da conspiração e os riscos enfrentados pelas instituições democráticas brasileiras.

 

Foto: Stock Midia