O fortalecimento da cafeicultura mineira por meio da inovação tecnológica e da cooperação internacional foi tema de debate nesta quinta-feira, durante reunião realizada na sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O encontro reuniu representantes do Governo de Minas, da Universidade Federal de Minas Gerais e de uma missão oficial da República Tcheca interessada em ampliar parcerias no setor agrícola.
A iniciativa teve como objetivo avaliar a possibilidade de cooperação entre Minas Gerais e o Projeto Comunidade, desenvolvido pela Universidade Tcheca de Ciências da Vida. A proposta central envolve o uso de inteligência geoespacial e análise de dados territoriais para apoiar a produção de café, promover sustentabilidade ambiental e melhorar o planejamento das áreas rurais do estado.
Durante o encontro, os participantes discutiram o intercâmbio de experiências e a adaptação de tecnologias já utilizadas em outros países da América Latina. A embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlikova, destacou que o café brasileiro é amplamente reconhecido em seu país e ressaltou que a experiência acadêmica da universidade tcheca pode contribuir para o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões produtoras.
Segundo a diplomata, a missão teve como foco avaliar projetos científicos nas áreas de agricultura e meio ambiente. Ela afirmou que a Universidade de Ciências da Vida possui histórico de cooperação internacional e que o Projeto Comunidade já está em operação em países como Colômbia e Chile, com resultados considerados positivos.
Técnicos e pesquisadores europeus apresentaram detalhes da plataforma, que integra imagens de satélite e dados territoriais para apoiar decisões relacionadas à produção agrícola, à gestão dos recursos hídricos e à mitigação de riscos climáticos. A ferramenta permite uma leitura mais precisa do território, facilitando ações preventivas e estratégias de adaptação às mudanças do clima.
O secretário-adjunto de Agricultura de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, explicou que o projeto avalia agora como essas soluções podem auxiliar produtores e instituições brasileiras diante de desafios recorrentes, como doenças nas lavouras de café, estresse hídrico, erosão do solo e incêndios florestais.
Minas Gerais também apresentou iniciativas próprias desenvolvidas nos últimos anos. A Emater-MG detalhou o mapeamento do parque cafeeiro mineiro, iniciado em dois mil e dezesseis com o uso de imagens de satélite e validação em campo em quatrocentos e sessenta municípios produtores. O trabalho envolve coleta, processamento, armazenamento e disponibilização de dados por meio de um geoportal público.
Outra iniciativa apresentada foi a plataforma Selo Verde MG, desenvolvida pela UFMG em parceria com o Governo de Minas. A ferramenta gratuita amplia a rastreabilidade da produção e comprova a conformidade ambiental das cadeias produtivas, indicando que mais de noventa por cento das propriedades cafeeiras do estado não estão associadas ao desmatamento.
Ao final da reunião, o diretor técnico da Emater-MG, Gélson Soares Lemes, anunciou a criação de um grupo de trabalho com participação de instituições mineiras, universidades e representantes do Projeto Comunidade. O objetivo será discutir a viabilidade técnica da parceria e adaptar metodologias voltadas à sustentabilidade, à resiliência climática e ao fortalecimento da cafeicultura mineira e de outras culturas agrícolas.
Foto: Seapa / Divulgação

