Marco Aurélio Carone

O cenário político mineiro para as eleições de 2026 já começa a ser desenhado, e, com ele, surgem especulações e articulações que deixam qualquer eleitor curioso. Quem será o próximo governador de Minas Gerais? Quais as forças que se movem nos bastidores? Se você também está se perguntando isso, vamos explorar juntos o que já se sabe – ou pelo menos o que está sendo ventilado.

Começando pelo lado do atual governo, não é segredo para ninguém que o vice-governador Mateus Simões será o candidato apoiado por Romeu Zema. E há razões de sobra para essa escolha. Simões não apenas conhece a fundo a máquina administrativa do estado, como também construiu, ao lado de Zema, uma gestão que até aqui tem se mostrado livre de qualquer escândalo ou mácula. Desde o primeiro mandato, Simões tem sido um nome de confiança, alguém que entende os desafios de governar Minas e, mais importante, sabe como enfrentá-los.

Mas tem mais. Você já ouviu falar sobre o peso dos prefeitos do interior em uma eleição estadual? Pois é, eles têm uma força enorme, especialmente em um estado tão grande e diverso como Minas Gerais. E aqui está o ponto: embora as pesquisas eleitorais tradicionais nem sempre capturem essa dinâmica, Mateus Simões conta com o apoio explícito de boa parte desses prefeitos. Para muitos gestores municipais, ele é a garantia de que o diálogo com as cidades continuará sendo uma prioridade no governo estadual. Isso pode fazer uma diferença enorme na campanha.

Enquanto isso, do lado oposto da disputa, temos outro nome que está começando a ser cogitado: o senador Rodrigo Pacheco. Ele deixa a presidência do Senado em fevereiro, e, embora ainda não tenha anunciado oficialmente que será candidato, tudo indica que essa é uma possibilidade real. Sabe aquele político que tem o apoio do governo federal? Pois bem, Pacheco é um deles. O presidente Lula tem se esforçado para prestigiar o senador e, caso ele entre na corrida pelo Palácio da Liberdade, certamente terá o suporte da máquina federal.

Agora, e se Pacheco decidir não concorrer? Aí entra um terceiro nome que não pode ser ignorado: o ministro Alexandre Silveira. Oficialmente, ele já declarou que apoiará Rodrigo Pacheco, mas, se o senador optar por não disputar o governo de Minas, Silveira é visto como um possível plano B. Ele tem um perfil técnico e uma boa relação com o governo federal, o que o coloca como uma alternativa viável para ocupar o espaço.

E a esquerda mineira? Bem, até agora, ela ainda não apresentou um nome claro para a disputa. Mas algumas lideranças do PT têm sugerido um nome de peso: o deputado Patrus Ananias. Você se lembra dele? Foi prefeito de Belo Horizonte e teve uma gestão que muitos consideram exemplar, especialmente no campo social. Para o PT, Patrus seria um candidato capaz de unir as bases do partido em Minas e, ao mesmo tempo, atrair o eleitorado mais progressista do estado.

Aqui, no entanto, surge um desafio importante. Lula precisará de um candidato forte em Minas Gerais para alavancar sua campanha de reeleição à presidência. E isso porque, ao que tudo indica, Romeu Zema pode entrar na disputa nacional como adversário direto de Lula. Em outras palavras, a eleição estadual e a eleição presidencial estarão profundamente conectadas. O peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, será decisivo para o futuro político de Lula e Zema.

Nos bastidores dessa possível candidatura de Zema à presidência, quem vem ganhando destaque é o secretário Marcelo Aro. Talvez você ainda não tenha ouvido falar tanto dele, mas vale a pena prestar atenção. Apesar da pouca idade, Aro tem mostrado habilidade política de gente grande. Um exemplo disso foi sua articulação na eleição para a presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte, quando conseguiu derrotar o candidato apoiado pelo prefeito Fuad Noman. Não subestime o papel de Marcelo Aro no tabuleiro político de 2026.

E como tudo isso vai se desenrolar? Ainda há muitas perguntas sem resposta. Mateus Simões terá força suficiente para vencer as eleições com o apoio de Zema e dos prefeitos do interior? Rodrigo Pacheco assumirá a candidatura ao governo de Minas ou seguirá em outra direção? Alexandre Silveira estará pronto para ocupar o espaço, caso necessário? E a esquerda, conseguirá encontrar um nome competitivo, como Patrus Ananias, para equilibrar o jogo?

O que sabemos, por enquanto, é que as articulações já estão em curso, e o cenário de 2026 promete ser um dos mais disputados da história recente de Minas Gerais. E, claro, todos os olhos estarão voltados para o estado, que não apenas decidirá seu próximo governador, mas também terá um papel crucial na eleição presidencial. Minas sempre foi o fiel da balança na política brasileira. Em 2026, não será diferente.

E você, já tem seu favorito? Ainda é cedo, mas acompanhar esses movimentos pode ajudar a entender melhor os rumos que Minas – e o Brasil – tomarão nos próximos anos.

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG


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