Juscelino Filho pediu demissão do Ministério das Comunicações nesta terça-feira (…), após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto envolvimento em esquema de desvio de emendas parlamentares. A saída marca a primeira exoneração no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligada diretamente a suspeitas de corrupção. Ele é o décimo ministro a deixar o governo desde o início do atual mandato, mas o primeiro a sair após uma acusação formal.
Em carta enviada ao presidente Lula, Juscelino afirmou que sua decisão foi motivada por um desejo de preservar o governo e seus projetos. “Hoje tomei uma das decisões mais difíceis da minha trajetória pública. Solicitei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva meu desligamento do cargo de ministro das Comunicações. Não o fiz por falta de compromisso, muito pelo contrário. Saio por acreditar que, neste momento, o mais importante é proteger o projeto de país que ajudamos a construir e em que sigo acreditando”, escreveu.
Na mesma mensagem, o agora ex-ministro ressaltou que sua saída é um gesto de respeito ao governo e à população. Declarou ainda que irá se concentrar na própria defesa: “Preciso me dedicar à minha defesa, com serenidade e firmeza, porque sei que a verdade há de prevalecer. As acusações que me atingem são infundadas, e confio plenamente nas instituições do nosso país, especialmente no Supremo Tribunal Federal, para que isso fique claro. A justiça virá!”
Com a demissão, Juscelino reassume sua vaga na Câmara dos Deputados, representando o estado do Maranhão. A cidade de Vitorino Freire, onde ocorreram os supostos desvios de recursos públicos, foi citada no inquérito da Polícia Federal. O município, localizado no interior maranhense, era administrado até 2023 por sua irmã, Luanna Rezende.
A investigação da Polícia Federal indicou o envolvimento do então ministro em desvios de verbas públicas destinadas à pavimentação de ruas na cidade. Os recursos teriam sido provenientes de emendas parlamentares. O relatório da PF, concluído no ano passado, apontou crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Diante do indiciamento, o presidente Lula já havia estabelecido que, caso houvesse denúncia formal, o ministro deveria deixar o cargo. “O que eu disse para ele: só você sabe a verdade. Se o procurador indiciar você, você sabe que tem que mudar de posição”, afirmou Lula em entrevista no ano passado.
A defesa de Juscelino nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação se limitou à indicação das emendas, sem envolvimento direto na execução das obras. Juscelino, de 40 anos, é médico e empresário. Estava licenciado do segundo mandato como deputado federal desde que assumiu o Ministério das Comunicações em janeiro de 2023. Sua nomeação para o cargo contou com articulação do senador Davi Alcolumbre (União-AP).
A decisão de sair foi comunicada à ministra Gleisi Hoffmann durante almoço na casa do presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Também participaram o senador Alcolumbre e o deputado Pedro Lucas, líder do partido na Câmara. Interlocutores próximos afirmam que o pedido de demissão partiu do próprio Juscelino, que desejava evitar constrangimentos ao governo.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

