Caiu como uma bomba no Palácio do Planalto a notícia de busca e apreensão em endereços dos “empresários golpistas” amigos do presidente.  

O ministro Alexandre de Moraes vai ter a íntegra das conversas fora das quatro linhas, em meio às quais poderão aparecer outros personagens, talvez ministros, talvez o próprio Bolsonaro. É nitroglicerina pura. 

Outro motivo de preocupação é a ordem de quebra de sigilo bancário.  

Moraes é o relator do inquérito das fake news, aberto por Dias Toffoli em 2019 para investigar ataques a ministros do STF por milícias digitais anti-democráticas. Em abril, Moraes disse que estava chegando nos financiadores.  

Se forem encontradas, nas buscas e apreensões, provas de que esses empresários financiaram os ataques – que é o que Moraes procura – a bomba pode estourar não só no colo deles, mas no colo de Bolsonaro.    

Extensos elementos contra o processo eleitoral 

Gente do meio jurídico considera que Alexandre de Moraes disparou a operação de busca e apreensão contra empresários suspeitos de pertencerem a uma articulação golpista não por autoritarismo, abuso de poder ou demonstração de machismo, mas por ter recolhido extensos elementos que indicariam de ações planejadas pelos bolsonaristas contra o processo eleitoral. Por isso, foi decretada a quebra de sigilo bancário dos investigados e o bloquear de suas contas. 

Segundo essa versão, os elementos reunidos, conectados com a investigação de atos contra a democracia, configuram uma situação grave, envolvendo operativos, empresários e uma rede de relações que chega a altos escalões da República.  

Quem conhece Moraes afirma que o ministro do Supremo tinha total ciência de que a operação de busca e apreensão de dispositivos que guardam detalhes do rastilho golpista geraria reações e ameaças de represálias por envolver empresários abonados.  

Por isso, a circulação da informação de que a troca de mensagens golpistas envolve o próprio procurador-geral da República Augusto Aras, amigo e colaborador de Meyer Nigri, um dos investigados, foi guardada para um segundo momento.  

Sabia-se que, quando o procurador-geral, sabedor dos elementos em jogo, e também, claro, de sua própria posição na linha de fogo, tentaria, por autodefesa, pressionar a operação, a Polícia Federal e o próprio Moraes. 

Logo depois da operação contra a preparação golpista, a Augusto Aras fez vir a público uma nota com críticas à operaçāo, mandando o recado a Moraes. 

Este devolveu o chumbo. A inclusão de Aras foi um aviso para que ele pare de tentar interferir. Sinalizou que Moraes tem mais em suas mãos. 

Quem conhece o juiz do Supremo, que é hoje uma das figuras mais poderosas da República, afirma que ele sabia de antemão o conteúdo dos dispositivos apreendidos. 

Sabia quais aparelhos deveriam ou não ser apreendidos. E mais: essas fontes afirmam que os elementos que tem em mãos são robustos, pois não faz parte de seu modo de agir correr risco de expor-se a nulidades sem ter uma reserva de segurança, pronta para vir a público no momento que julgar adequado.