O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu a sessão de julgamento da trama golpista com duras críticas à proposta de anistia defendida por parlamentares bolsonaristas na Câmara dos Deputados. Segundo ele, “impunidade, omissão e covardia não são opções para a pacificação”, reforçando que apaziguar não pode ser interpretado como deixar de punir. A declaração ocorreu logo após o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, anunciar o início da audiência e definir as regras do julgamento.

Moraes destacou que o país e a Suprema Corte “só têm a lamentar que mais uma vez se tenha tentado novamente um golpe de Estado”. A fala foi recebida como um recado direto a setores que defendem anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e a outras articulações antidemocráticas. Para o magistrado, a pacificação do Brasil não pode se confundir com esquecimento ou complacência diante de crimes contra a ordem constitucional.

O julgamento envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados, acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de planejar e liderar uma tentativa de ruptura democrática após a derrota eleitoral em 2022. A PGR sustenta que Bolsonaro teve papel central na articulação, contando com o apoio de figuras de confiança do governo anterior.

Zanin detalhou o rito da sessão: leitura do relatório pelo relator, sustentações orais da PGR por até duas horas, defesas dos réus — começando pelo colaborador Mauro Cid —, voto do relator e, por fim, manifestação dos demais ministros.

Bolsonaro, segundo seu advogado Celso Vilardi, não compareceu ao Supremo por questões de saúde. Enquanto isso, aposta em divergências entre os ministros para reduzir eventual pena e enfraquecer a delação de Mauro Cid, peça-chave da investigação. O julgamento ocorre sob forte esquema de segurança.

Foto: Fellipe Sampaio/STF

 


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