O senador e pré-candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro, defendeu nesta segunda-feira a adoção de medidas mais rígidas e coordenadas para enfrentar o avanço das organizações criminosas no Brasil. Durante participação no Veja Fórum, evento promovido pela Revista Veja, o parlamentar afirmou que o combate ao crime organizado exige ações integradas entre diferentes órgãos de segurança pública e a criação de forças-tarefas especializadas voltadas ao desmantelamento dessas estruturas criminosas.
Segundo Moro, o país precisa tratar o tema com a seriedade e a urgência que a situação exige. O senador argumentou que as facções criminosas ampliaram sua capacidade de atuação nos últimos anos, alcançando setores estratégicos da economia e expandindo sua influência em diversas regiões do território nacional. Para ele, além do fortalecimento das polícias, é necessário haver uma postura política firme diante da criminalidade organizada.
Durante sua exposição, Moro relembrou um episódio ocorrido em dois mil e vinte, quando ocupava o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. De acordo com seu relato, informações obtidas pelos serviços de inteligência apontavam para a existência de um plano destinado a resgatar o traficante Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, então custodiado no Presídio Federal de Brasília. Diante da ameaça, o então ministro afirmou ter solicitado providências ao presidente Jair Bolsonaro, resultando na decretação de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem nas proximidades dos presídios federais.
O senador utilizou o episódio para defender demonstrações claras de força por parte do Estado, argumentando que ações preventivas e ostensivas podem servir como fator de dissuasão contra iniciativas promovidas por grupos criminosos. Segundo ele, a capacidade de resposta das autoridades precisa ser constantemente demonstrada para impedir o fortalecimento dessas organizações.
Ao abordar suas propostas para o Paraná, Moro declarou que pretende transformar o estado em referência nacional em segurança pública. Entre as medidas defendidas está a construção de um presídio estadual de segurança máxima inspirado no modelo das unidades federais. O objetivo, segundo ele, é impedir que lideranças criminosas continuem comandando atividades ilícitas mesmo após serem presas.
O parlamentar também mencionou a presença de organizações criminosas em áreas consideradas estratégicas, como o Porto de Paranaguá, a região da tríplice fronteira e grandes centros urbanos. Embora reconheça que o Paraná apresenta indicadores mais favoráveis do que alguns estados brasileiros, Moro alertou para o crescimento da violência e para a necessidade de medidas preventivas.
Outra proposta destacada foi o fortalecimento dos sistemas de inteligência e integração policial. O senador lembrou a implantação do Centro Integrado de Operações de Fronteiras, em Foz do Iguaçu, inspirado em modelos internacionais de compartilhamento de informações entre órgãos de segurança.
Além do combate ao crime organizado, Moro relacionou o enfrentamento da corrupção à melhoria da gestão pública. Segundo ele, práticas ilícitas comprometem a eficiência do Estado, reduzem recursos destinados a serviços essenciais e enfraquecem as instituições responsáveis pela aplicação da lei. O senador afirmou ainda que a presença de agentes públicos corruptos
favorece a atuação de organizações criminosas e aumenta os riscos de infiltração dessas estruturas em setores estratégicos da administração pública.
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

