As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira desde a segunda-feira, dia 23 de fevereiro, provocaram uma das maiores tragédias recentes da região. De acordo com informações atualizadas pelo Corpo de Bombeiros na manhã desta quarta-feira, dia 25, o número de mortos chegou a 36 pessoas, sendo 30 vítimas em Juiz de Fora e 6 no município de Ubá. As equipes seguem mobilizadas em operações de busca, resgate e atendimento às famílias afetadas.

Em Juiz de Fora, o cenário é o mais crítico. Há 31 pessoas oficialmente consideradas desaparecidas, enquanto em Ubá outras 2 seguem sem localização confirmada. Em Matias Barbosa, também impactada pelas chuvas intensas, não há registro de mortos nem de desaparecidos até o momento. Segundo dados consolidados pelas autoridades, o total de pessoas resgatadas com vida chega a 208, muitas delas em situação de fragilidade física e emocional.

O volume de chuva registrado em Juiz de Fora impressiona. Foram acumulados 584 milímetros ao longo do período, tornando o mês de fevereiro o mais chuvoso da história do município. O índice supera mais do que o dobro do volume médio esperado para o mês. A prefeitura contabiliza mais de 3.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas, enquanto a Defesa Civil municipal já registrou 772 ocorrências relacionadas a alagamentos, deslizamentos e danos estruturais.

Em Ubá, a situação também é grave. Em cerca de 3 horas e meia, choveu o equivalente a 170 milímetros. O Rio Ubá transbordou e atingiu a marca de 7,82 metros, inundando bairros inteiros e obrigando moradores a deixarem suas casas às pressas. A força da água destruiu pontes, comprometeu vias urbanas e dificultou o deslocamento das equipes de emergência.

O governador de Minas Gerais esteve em Juiz de Fora nesta manhã acompanhando de perto os trabalhos de busca e resgate. Em entrevista concedida a uma emissora de rádio, ele afirmou que o suporte humanitário aos desalojados está sendo providenciado e destacou a complexidade das operações. Segundo ele, 6 vítimas foram localizadas durante a madrugada, e a previsão é que os trabalhos dos bombeiros ainda se estendam por até 5 dias, em razão da grande quantidade de lama e escombros acumulados.

Equipes federais e estaduais reforçaram a atuação na região. Profissionais da área da saúde, incluindo médicos, enfermeiros e psicólogos, foram deslocados para atender a população afetada. Kits de emergência com medicamentos e insumos básicos também estão sendo distribuídos nos pontos de apoio. Técnicos especializados em desastres chegaram para auxiliar na coordenação das ações humanitárias, no restabelecimento de serviços essenciais e no planejamento da reconstrução.

A Defesa Civil estadual alertou que novas tempestades são esperadas ao longo desta quarta-feira em diversas regiões de Minas Gerais. A previsão indica acumulados de chuva em torno de 40 milímetros, rajadas de vento superiores a 70 quilômetros por hora e possibilidade de granizo. As autoridades recomendam atenção redobrada para riscos de alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra, quedas de árvores e destelhamentos, especialmente em áreas mais vulneráveis.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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