O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (22) que o projeto do governo federal que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas com renda mensal de até cinco mil reais deve ser votado na próxima semana. A declaração foi dada durante um evento promovido pelo banco BTG Pactual, realizado em São Paulo, que reuniu lideranças políticas e empresariais.

“Chamei o deputado Arthur Lira [relator do projeto] para ir ao colégio de líderes esta semana explicar o seu relatório, e para que, ouvindo o colégio, possamos ter ainda esta semana uma posição sobre a pauta e, se possível, já levarmos a pauta na semana que vem [para votação]. Essa é uma pauta importante, nós sabemos o quanto ela irá trazer, do ponto de vista da justiça tributária, avanços significativos para milhões de brasileiros e brasileiras. Eu penso que é uma pauta que, no seu amadurecimento, chega o momento de levarmos essa pauta ao plenário”, declarou Motta.

O presidente da Câmara afirmou que os parlamentares poderão apresentar emendas ao texto, mas destacou a necessidade de responsabilidade fiscal. “É claro que cada partido tem o direito de propor emenda, de fazer destaque. O plenário será soberano ao final dessa decisão, se muda a compensação, se retira a compensação, se aumenta essa faixa de isenção. Tudo isso é possível. Eu só penso que cada atitude que for ser tomada por cada partido também tem a responsabilidade sobre a consequência dessa atitude, porque nós estamos tratando das contas públicas do país”, explicou.

Motta foi um dos principais alvos das manifestações realizadas no último domingo (21), que ocorreram em diversas cidades do país contra a proposta de anistia a condenados por golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e contra a PEC da Blindagem, que determina que Câmara e Senado autorizem a abertura de processos contra parlamentares.

Nesta segunda-feira, ele comentou sobre o clima político no Congresso. Segundo Motta, “o atual momento do país é desafiador”, mas é preciso “tirar da frente todas essas pautas tóxicas” e “essas cascas de banana” que, segundo ele, têm dominado as discussões parlamentares. “Nesse momento, o presidente da Câmara precisa ter cautela, equilíbrio e procurar nessa divergência toda encontrar a mínima convergência, para que o Parlamento possa cumprir o seu papel. Isso é a voz da democracia, de ter, lá, a oportunidade de todos expressarem as suas opiniões sobre os mais variados temas, sem preconceito algum, e procurar defender a pauta que não depende só do presidente, depende também do colégio de líderes”, disse.

Motta defendeu que o Congresso volte a discutir temas prioritários. “Nós vamos tirar essas pautas tóxicas, porque ninguém aguenta mais essa discussão. O Brasil tem que olhar para frente. Nós temos que começar a discutir aquilo que realmente importa, que é uma reforma administrativa, que é essa questão do Imposto de Renda, que é podermos discutir a segurança pública, que é termos uma pauta de entregas à sociedade”, afirmou.

O parlamentar lamentou que os conflitos políticos dominem o noticiário. “Infelizmente, a pauta que lidera hoje o noticiário é a pauta do conflito. É a pauta que anima esses polos e deixa os assuntos mais importantes, que dizem respeito ao dia a dia da sociedade, em segundo plano”, declarou. Ele acrescentou que é necessário “dar um passo na discussão daquilo que verdadeiramente importa para a nossa população”.

Sobre os atos públicos do domingo, Motta destacou a importância do direito à manifestação e reiterou seu respeito à democracia. “As manifestações demonstram que a nossa democracia segue mais viva do que nunca. Há quinze dias, tivemos manifestações da direita reivindicando outras pautas. A nossa população está nas ruas defendendo aquilo em que acredita. Eu tenho o maior respeito pelas manifestações populares e fico feliz em ver as pessoas indo às ruas para defender o que acreditam”, concluiu.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

 


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