O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) conquistou o primeiro lugar na categoria “Podcast e Rádio” do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2025, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ). O trabalho vencedor foi o podcast “Sobre Tons”, uma produção da Assessoria de Comunicação Integrada (Asscom) e da Coordenadoria de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação (Ccrad) do MPMG. Em formato narrativo, o programa relata histórias emblemáticas da luta contra o racismo no Brasil, complementadas por comentários de convidados que aprofundam o debate. A primeira temporada, lançada entre outubro e novembro do ano passado, abordou casos como os de Katherine Dunham, Simone Diniz, Vini Jr. e João Alberto. Os episódios tratam de temas como a criação da primeira lei contra o racismo no país, a primeira condenação internacional do Brasil por discriminação racial, o racismo no futebol e a violência contra pessoas negras. O conteúdo está disponível no Spotify e no YouTube. A segunda temporada será lançada em 28 de agosto, em formato de videocast, em parceria com a Fundação Clóvis Salgado.
A premiação ocorreu durante o 19º Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça (Conbrascom), realizado em 8 de agosto, em São Luís do Maranhão. O evento reconhece projetos de comunicação pública que aproximam o Sistema de Justiça da população, fortalecem a cidadania e promovem inclusão. Nesta edição, mais de 420 trabalhos foram inscritos, e cinco finalistas foram selecionados em cada uma das 14 categorias. O MPMG também esteve entre os finalistas na categoria Projeto Gráfico, com a identidade visual da Casa Lilian – Centro Estadual de Apoio às Vítimas, e na categoria Relacionamento com a Mídia, com o projeto Agência de notícias para rádios.
A promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, coordenadora da Ccrad, ressaltou que a premiação representa o reconhecimento de um trabalho coletivo em prol da luta antirracista. “Esse compromisso, que já se expressava com a criação da Ccrad e do próprio programa antirracista Sobre Tons, idealizado e conduzido na gestão anterior pelo promotor de Justiça Allender Barreto, agora se vê ainda mais fortalecido e projetado a nível nacional”. Para ela, o projeto reafirma a aposta do MPMG na educação e na informação como ferramentas capazes de promover mudanças sociais concretas. “Em tempos de recrudescimento de discursos de ódio e intolerância, é urgente ampliar e qualificar o debate público sobre o racismo, e o podcast Sobre Tons fez isso com maestria: reuniu vozes potentes, intelectuais de referência e experiências reais que, juntas, contribuíram para desvelar as raízes históricas e estruturais do racismo, apontando caminhos possíveis para sua superação”.
Nádia acrescentou que a conquista simboliza um avanço concreto na luta contra a discriminação racial em todo o país. “O podcast Sobre Tons mostrou que é possível criar pontes entre o sistema de justiça e a sociedade, quando se une compromisso institucional com escuta, diálogo e ação”.
A jornalista Thaís Dutra, integrante da Asscom e uma das responsáveis pela criação do programa, destacou a dedicação exigida pela produção. “As histórias apresentadas possuem muitos detalhes e algumas divergências de informação na internet, o que requereu uma apuração cuidadosa e, em alguns casos, a confirmação da pesquisa com os próprios envolvidos, como Simone Diniz e o jogador Aranha”.
A designer Esther Gonçalves, também da equipe de produção, falou sobre a escolha do formato narrativo. “Contar e ouvir histórias é uma prática importante que, além de nos envolver, nos permite um contato mais profundo com os casos e personagens apresentados. Por isso, achamos interessante apostar nesse formato. Já os comentários dos convidados, que vêm logo depois da narração feita pela jornalista Christiane Antuña, ajudam a ampliar as reflexões sobre o tema”.
Já a estudante de Jornalismo Helena Drummond, ex-estagiária da Asscom e participante do projeto, afirmou que a experiência proporcionou aprendizados importantes. “Essa experiência me tirou da zona de conforto como mulher branca e me provocou a ser mais ativa na luta antirracista. Pesquisar, escrever roteiros e conhecer quem estava por trás das histórias me fez compreender a responsabilidade do nosso trabalho, que exige muita seriedade, sensibilidade e respeito”.
A nova temporada contará com nove episódios que exploram a interseção entre direito e cultura na luta contra o racismo, destacando como a arte influencia e fortalece o trabalho de quem busca um mundo mais inclusivo.
Além do prêmio principal, o MPMG foi reconhecido no dia 7 de agosto, durante o Conbrascom, com o título de ‘Top 10 em Interações nas Redes – Sistema de Justiça’. O post “Não publique minha foto com o uniforme da escola” foi classificado como o quarto mais viral do sistema de Justiça brasileiro no primeiro semestre de 2025.
Entre os episódios da primeira temporada, o primeiro aborda a criação, em 1951, da Lei Afonso Arinos, que instituiu a primeira legislação brasileira contra o racismo. A narrativa mostra como o caso de uma bailarina afro-americana e de um motorista brasileiro motivou a lei. Os comentários são do promotor de Justiça Allender Barreto e da advogada Zaira Pereira, professora e integrante da Comissão de Promoção à Igualdade Racial da OAB-MG.
O segundo episódio narra a história de Simone Diniz, que em 1997 foi recusada para uma vaga de emprego devido à cor de sua pele. Apesar da luta para ter seus direitos reconhecidos, o caso não foi tratado como racismo pela Justiça brasileira, resultando na primeira condenação do país por uma corte internacional em situação de discriminação racial. Participam dos comentários os advogados Sinvaldo Filho e Helena de Souza Rocha, além da própria Simone Diniz.
O terceiro episódio é dedicado ao jogador Vini Jr. e à sua batalha contra o racismo no futebol. Entre os convidados estão o promotor de Justiça e integrante do Grupo de Trabalho Antirracismo do MPMG, Evandro Ventura; o membro do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Luciano de Jesus; e o ex-goleiro Aranha, que se tornou um símbolo na luta contra o preconceito no esporte.
O quarto episódio aborda o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, discutindo as implicações do racismo em empresas, comércios e no cotidiano. O conteúdo conta com as análises do procurador regional dos Direitos do Cidadão do Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas, e do promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do mesmo estado, Leonardo Menin, que discutem ações necessárias para combater a violência racial.
Com esse reconhecimento nacional, o MPMG reafirma seu papel como instituição comprometida em usar a comunicação como instrumento de transformação social e promoção da igualdade racial. O “Sobre Tons” demonstra que, com pesquisa aprofundada, participação de especialistas e valorização das vozes que vivenciam o problema, é possível não apenas denunciar o racismo, mas também apontar caminhos efetivos para sua erradicação.
Foto: Divulgação

