As conversas sobre uma possível fusão entre PSDB e Republicanos avançam, mas esbarram em um ponto sensível: a manutenção dos nomes das legendas. Nenhum dos presidentes das siglas, Marconi Perillo (PSDB) e Marcos Pereira (Republicanos), demonstra disposição em abrir mão da identidade partidária. O entrave tem dificultado a consolidação de um acordo, apesar do interesse mútuo em fortalecer as bases para as eleições de 2026.
Entre os tucanos, a resistência à perda do nome PSDB é intensa. Fundado em 1988, o partido tem uma trajetória marcada por disputas presidenciais e forte presença em estados estratégicos. A avaliação interna é de que a extinção da sigla comprometeria não só o engajamento da militância, mas também alianças políticas históricas. Por isso, alas do partido defendem alternativas mais viáveis, como a fusão com o Podemos ou a formação de uma federação com o Solidariedade, cujas lideranças estariam mais abertas a negociações simbólicas e de protagonismo.
Nos bastidores, dirigentes do Podemos acreditam que a união com o PSDB está próxima. A deputada federal Renata Abreu, presidente do partido, já liderou movimentos de incorporação de outras legendas, como o PHS e o PSC, e é vista como uma liderança pragmática. Para o Podemos, a fusão com os tucanos poderia impulsionar seu projeto de expansão nacional, com vistas a 2026.
Esse cenário daria novo fôlego à pré-candidatura presidencial de Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul. Em 2022, ele chegou a ser sondado pelo próprio Podemos para disputar a Presidência, o que indica uma afinidade política já estabelecida. Contudo, o nome de Leite dificilmente teria espaço dentro do Republicanos, onde o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, desponta como figura central. Alinhado ao bolsonarismo, Tarcísio aguarda o posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro para definir seus próximos passos eleitorais.
A fusão entre PSDB e Republicanos também poderia intensificar disputas regionais. Em Minas Gerais, por exemplo, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) almeja uma vaga no Senado em 2026. Caso a união se concretize, ele poderá ter como concorrente interno o presidente estadual do Republicanos, deputado Euclydes Pettersen, que também planeja disputar o cargo.
Mesmo diante dessas possíveis colisões, interlocutores de Aécio negam resistência à fusão. Eles afirmam que o deputado tem avaliado o cenário com pragmatismo e participado de reuniões com figuras centrais do processo, como Marcos Pereira e o presidente da Câmara, Hugo Motta. As articulações seguem e o desfecho é aguardado para abril, com impacto direto nas alianças para 2026.
Foto: Alex Loyola

