Perda de lavouras; perda de leite; animais sem ordenha; pivôs de irrigação e outros equipamentos movidos a gerador ou parados; usinas fotovoltaicas prontas, mas sem conexão à rede. A lista de problemas e prejuízos é dos produtores rurais do Noroeste de Minas, que reclamam da má qualidade da energia da Cemig na região.

As demandas foram apresentadas a representantes da companhia em audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta segunda-feira (4/9/23). A reunião foi realizada em João Pinheiro, a requerimento do presidente da comissão, deputado Gil Pereira (PSD).

A história do produtor rural Hebert Couto ilustra bem a de muitos outros. Ele conta que teve prejuízo de R$ 200 mil só com a lavoura de abóbora, em grande parte porque não a irrigou. A fazenda não tem energia suficiente para tocar os pivôs. Sua usina fotovoltaica está pronta e deveria ter sido ligada há mais de um ano, conforme contrato – já pago – com a Cemig.

Eu pago energia e deixo de receber a que está sendo produzida inutilmente na usina. Ainda pago o empréstimo que fiz para construir a usina. Muitas vezes, falta uma fase na rede e isso queima os motores”, afirmou Hebert Couto produtor rural.

Recentemente, o produtor quase perdeu a outorga de água, justamente porque o sistema de irrigação não está funcionando.

A presidenta da Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas, Rowena Betina Petroll, conta que a entidade fez um levantamento com seus filiados, a pedido da Cemig, e encontrou quatro tipos de gargalos. Há os produtores que sofrem com a qualidade da energia, os que querem ampliar o consumo e não conseguem, os que fizeram contratos de ampliação e aguardam e os que já pagaram esses contratos e enfrentam atrasos.

Dezenas de exemplos desses gargalos foram relatados na audiência. O prefeito de Paracatu, Igor Pereira dos Santos, por exemplo, afirmou que somente naquele município há 700 pessoas convivendo com a oscilação na energia elétrica.

Mas os convidados também ressaltaram o grande potencial do Noroeste para ampliação das áreas cultivadas. “Temos área, temos gente, mas não temos energia”, reclamou Carlos Eduardo Furtado, diretor do Sindicato Rural de João Pinheiro.

A deputada Marli Ribeiro (PSC) citou o projeto Agrocerrado, que mapeou 7 milhões de hectares no Noroeste de Minas e parte de Goiás, com capacidade de produção de 42 milhões de toneladas de grãos/ano. Porém, novamente, há o gargalo energético.

Programação é essencial para investimentos

Participantes da audiência se queixaram, ainda, de constantes adiamentos de prazos por parte da Cemig para a realização das melhorias na região. A deputada Lud Falcão (Pode) salientou que os produtores precisam da programação correta para realizar investimentos e cobrou essas obras. “A cada R$ 3 gastos em óleo diesel, o produtor poderia pagar R$ 1 para a Cemig”, apontou, citando a perda de competitividade.

O prefeito de João Pinheiro, Edmar Maciel, destacou que participa de audiências sobre o assunto desde 2005. Também o prefeito de São Gonçalo do Abaeté, Fabiano Lucas, disse escutar as mesmas promessas ano após ano. “Estou com uma creche pronta para 250 crianças. A Cemig pediu 120 dias para ligar o padrão à rede”, criticou, defendendo a privatização da companhia. Outros prefeitos e vereadores da região também estiveram presentes.

Outro que se queixou dos prazos não cumpridos e do prejuízo causado por isso foi Júlio César Moreira, presidente da Associação Comercial e Empresarial de João Pinheiro. Ele citou, inclusive, prejuízo para o comércio, que também tem de recorrer a geradores, e para o próprio município, que perde em atração de novos negócios.

Os deputados Bim da Ambulância (Avante) e Bosco (Cidadania) reconheceram as demandas, mas salientaram que a Cemig deixou de investir em Minas Gerais durante governos anteriores, levando recursos para outras regiões. Só na gestão de Romeu Zema, segundo eles, houve a determinação para que a companhia concentre seus recursos no Estado. Bim da Ambulância reiterou o pedido para que a companhia cumpra os prazos previstos.

Gil Pereira enfatizou a responsabilidade da empresa para com os cidadãos, em especial aqueles que produzem. “O Noroeste de Minas está no centro do País e com grande potencial produtivo”, disse.


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