Publicação é a primeira de uma série de obras celebrando o Palácio e suas artes, e será disponibilizada na Midiateca João Etienne Filho, em escolas e instituições públicas, nos equipamentos do Circuito Liberdade e no site da Fundação

“A Casa de Papel”! No caso, um “Palácio de Papel”, um livro, onde o palácio é o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, Minas Gerais – o maior complexo cultural da América Latina – que, neste 2026, completa seus primeiros 55 anos, com vasta programação, durante todo o ano.

Juscelino Kubitschek, Peri Rocha França e Antonio Lunardi, em 28 de novembro de 1970 – Crédito Acervo FCS

Inauguração da Grande Galeria, em 31 de janeiro de 1971, com Peri Rocha França, Israel Pinheiro, Luiz Souza Lima e Martinho Rego – Crédito Acervo FCS

Concerto de Inauguração do Grande Teatro, em 14 de março de 1971 – Crédito Acervo FCS

Croqui Original de Oscar Niemeyer para o Teatro Municipal de Belo Horizonte – Crédito Fundação Oscar Niemeyer

Entre as ações comemorativas está o lançamento de uma coleção de cinco livros registrando não só a história do Palácio das Artes; como também a montagem das 100 óperas de seu repertório, entre clássicos mundiais e produções autorais; os 50 anos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG); os 55 anos do Cia de Dança Palácio das Artes (CDPA); e, por fim, um catálogo raisonné, com o acervo de artes plásticas da Fundação Clóvis Salgado (FCS), mantenedora do Palácio das Artes. Um sexto livro vai completar a coleção, com a trajetória do Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG), perto de completar 50 anos, em 2029.

Fachada do Palácio das Artes ( foto Paulo Lacerda)

O jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) – ele mesmo “uma flor de obsessão”, em suas próprias palavras, dizia: “o que não é repetido, continua inédito”, desconhecido. E o que dizer então do que nem foi escrito, registrado ou contado, no caso, em papel? Eis a importância desta iniciativa, até então inédita, o primeiro livro da coleção, “Palácio das Artes: 55 Anos – Ontem. Hoje. Sempre!”, do jornalista e escritor Mauro Werkema e da turismóloga e bacharel em Letras Maria Elisa Ordones de Oliveira.

Incêndio no Grande Teatro, em 7 de abril de 1997 -!Crédito Paulo Lacerda)

Se, na economia, na política e na cultura, Minas Gerais é uma das locomotivas do Brasil, o Palácio das Artes justifica plenamente seu nome: um trem veloz, que segue pelos trilhos de um futuro cada vez mais promissor, levando em seus muitos e variados vagões todas as artes e os maiores tesouros de Minas, do Brasil e até do mundo”, diz, na apresentação do livro, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões.

O livro, que será lançado na próxima semana, terá exemplares para consulta na Midiateca João Etienne Filho (no Palácio das Artes) e será distribuído também em escolas e instituições públicas de Minas Gerais, além de ficar disponível para leitura e pesquisa nos equipamentos do Circuito Liberdade e, em versão digital, no site da Fundação Clóvis Salgado https://fcs.mg.gov.br/.

A publicação é um marco em 248 páginas, dividido em capítulos e subcapítulos, sobre as origens e a história do complexo cultural; suas múltiplas galerias e demais espaços físicos; seus corpos artísticos; o Cine Humberto Mauro; e o Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), de onde saem mais de 2 mil novos artistas e técnicos por ano.

“Este livro reconstrói, revela, como o Palácio das Artes se tornou uma das instituições culturais mais importantes do Brasil. Não é apenas celebração, nem simples inventário de fatos, salas e realizações. É, no melhor sentido, uma interpretação. Reúne memória institucional, leitura histórica, crítica de arquitetura, testemunho afetivo, reflexão sobre políticas públicas e análise da formação artística de Minas Gerais. Seu mérito maior está em demonstrar que o Palácio das Artes não se deixa compreender por uma única chave. Ele é, ao mesmo tempo, edifício, instituição e acontecimento urbano. É obra moderna, é organismo vivo, é paisagem moral da cidade”, escreve, também na apresentação, o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.

A importância, quase urgência de “Palácio das Artes: 55 Anos – Ontem. Hoje. Sempre!”, é relembrar fatos capitais como sua idealização por Juscelino Kubitschek, quando prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), com projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer – no livro em alguns croquis, gentilmente cedidos pela Fundação Oscar Niemeyer – e a retomada das obras paralisadas por mais de 20 anos, só concluídas no Governo Israel Pinheiro (1966-1971), com o arquiteto Hélio Ferreira Pinto. Mesmo com a Grande Galeria, hoje, Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, sendo aberta em 1970, a inauguração oficial aconteceu em 14 de março de 1971. Um dia depois assumia o novo governador, Rondon Pacheco (1971-1975).

Para o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita, “é uma honra comemorar os 55 anos do Palácio das Artes, um dos mais importantes espaços culturais da América Latina, com o lançamento de uma bela publicação que se debruça sobre a sua história, a trajetória dos corpos artísticos, as curiosidades, os espaços e alguns marcos desse brilhante caminho. A reflexão sobre a nossa história, bem como os projetos de preservação dos nossos acervos artísticos e documentais, assim como a potência e relevância das nossas companhias artísticas, do Cefart e do nosso corpo técnico, possibilita que comemoremos muitos outros aniversários. Vida longa ao Palácio das Artes!”.

Coral Lírico de Minas Gerais (Foto Paulo Lacerda)

Maestro André Brant e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (foto Paulo Lacerda)

Certamente o grande mérito de “Palácio das Artes: 55 Anos” está na hercúlea recuperação das memórias, dos personagens e registros fotográficos do acervo da FCS, que construíram, ontem, esta longa trajetória, e na exaltação da importância do Palácio das Artes, hoje, enquanto projeta as bases para o amanhã e o sempre. No lado mais humano e dinâmico, estas memórias, ao longo da obra, voltam com uma série de emocionantes depoimentos de artistas e dos mais antigos colaboradores na FCS/Palácio das Artes.

Com a palavra, o jornalista, ex-presidente da FCS e autor do livro, Mauro Werkema: “o livro, com objetivo histórico e documental, enfatiza três aspectos que distinguem e enobrecem a história do Palácio das Artes: sua origem, concepção e realização por nomes ilustres, como Juscelino, Niemeyer, Israel Pinheiro, Clóvis Salgado, entre muitos outros; sua excepcional e contínua performance de realizações artísticas e culturais; e a amplitude de sua atuação – em todos os ramos da criação, produção, exibição artística e cultural e ensino para as carreiras artísticas -, a maior e mais completa do Brasil e da América Latina. E assim, o Palácio continua merecendo a presença contínua de seu grande público”.

Ópera Matraga (foto Paulo Lacerda)

Ópera La Traviata (foto Paulo Lacerda)

Uma compilação das experiências inaugurais que seguem habitando incontáveis imaginários. A primeira nota de um piano, o primeiro concerto de música clássica, o deslumbramento diante da primeira exposição de artes plásticas, a hipnose do primeiro espetáculo de dança ou da apresentação de um coral, o primeiro filme, a primeira trilha sonora, a primeira ópera – síntese de todas as artes. Lançamentos de livros, comemorações, encontros, festas. A primeira aula e a primeira turma de formandos nos cursos de artes e tecnologias da cena, assim como os primeiros anos da Escola Guignard, que ali nasceu.

“Palácio das Artes: 55 Anos – Ontem. Hoje. Sempre!” também resgata seus momentos mais críticos, como o incêndio do Grande Teatro, hoje, Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em 1997; o desafiador período da pandemia de Covid-19, com extensa programação on-line, bem como os rituais de despedida de artistas que marcaram nossa história: Gonzaguinha, em 1991; Fernando Brant, em 2015; e, em 2025, Lô Borges e Teuda Bara.

Por fim, como escreveu, sempre nas apresentações, o ex-presidente da FCS e idealizador da coleção de livros, Sérgio Rodrigo Reis, “Hoje, em sua maturidade, o Palácio das Artes reafirma esse desejo de pertencer ao povo. Afasta-se do modelo de museus antigos e casas de espetáculos concebidos como santuários fechados, imersos em escadarias e sombras. O Palácio é um segundo lar, uma extensão da Avenida Afonso Pena, no coração da capital de Minas Gerais, Belo Horizonte – um edifício atravessável, uma cidade dentro da cidade, onde a arte exerce plenamente seu papel transformador”.

Coluna Minas Turismo Gerais

Jornalista Sérgio Moreira @sergiomoreira63

Informações para [email protected]


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