A missão do Exército israelense para derrotar o Hamas em Gaza “ainda não terminou”, declarou nesta quarta-feira, 5, o novo comandante do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir. Ele assumiu o cargo em um momento de incerteza sobre a segunda fase da trégua em vigor desde 19 de janeiro.
“Hoje, aceito o comando do exército com modéstia e humildade”, afirmou Zamir. “O Hamas sofreu um golpe duro, mas ainda não foi vencido, então a missão ainda não terminou”, ressaltou.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reforçou ao novo comandante que Israel está “determinado” a alcançar a vitória no conflito iniciado após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. “Os resultados da guerra terão impacto por várias gerações”, afirmou Netanyahu durante a cerimônia de posse em Tel Aviv.
Zamir, de 59 anos, substitui o tenente-general Herzi Halevi, que renunciou após reconhecer o fracasso das Forças Armadas no ataque de outubro. Uma investigação militar recente apontou “excesso de confiança” e revelou que o ataque ocorreu em três ondas sucessivas, resultando na entrada de mais de 5.000 combatentes do Hamas em Israel a partir da Faixa de Gaza.
O ataque deixou mais de 1.200 mortos em Israel, a maioria civis, e o sequestro de 251 pessoas pelo Hamas, segundo dados oficiais israelenses compilados pela AFP. Em resposta, a ofensiva israelense em Gaza causou a morte de mais de 48.000 pessoas, também em sua maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas. A ONU considera os números confiáveis.
A posse de Zamir acontece em meio às negociações para a segunda fase da trégua, mediadas por Catar, Egito e Estados Unidos. O acordo prevê três fases. Na primeira, o Hamas entregou 33 reféns a Israel, incluindo oito mortos, em troca da libertação de quase 1.800 prisioneiros palestinos. Atualmente, 58 reféns permanecem em Gaza, dos quais 34 são considerados mortos, segundo o Exército israelense.
Nesta quarta-feira, ocorreu no kibutz Nir Oz o funeral do refém franco-israelense Ohad Yahalomi, cujo corpo foi entregue pelo Hamas em 27 de fevereiro.
O governo israelense anunciou no domingo a suspensão da entrada de ajuda humanitária em Gaza, após discordâncias com o Hamas sobre os próximos passos do cessar-fogo.
A África do Sul acusou Israel de usar “a fome como arma de guerra” ao bloquear a entrada de suprimentos, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores sul-africano. O país apresentou uma denúncia de genocídio contra Israel na Corte Internacional de Justiça.
“O povo de Gaza está passando por um sofrimento imenso e precisa urgentemente de alimentos, abrigo e suprimentos médicos”, ressaltou o governo sul-africano, pedindo à comunidade internacional que responsabilize Israel.
Ministros das Relações Exteriores da Alemanha, Reino Unido e França também cobraram Israel em uma declaração conjunta, afirmando que o país deve cumprir suas obrigações internacionais.
“Israel deve garantir que a ajuda humanitária chegue à população de Gaza de forma completa, rápida, segura e sem obstáculos”, destacaram. Os três países alertaram que a interrupção da entrada de bens pode representar uma violação do direito internacional humanitário.
“A entrega de ajuda humanitária não pode ser condicionada a um cessar-fogo, nem usada para fins políticos”, concluíram os ministros europeus.
Foto: Thomas Coex

