O deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), recém-eleito presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), afirmou que não atuará como oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, criticou a situação econômica e algumas mudanças de posição do Executivo. “A Frente deve ser propositiva, e não um instrumento de oposição ou governismo”, declarou.
Eleito nesta terça-feira (25), ao vencer o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), Nascimento contou com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas evitou comentar temas sensíveis como a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. “A anistia é uma questão partidária e não será tratada na Frente”, afirmou.
O novo presidente se apresenta como um conciliador e deseja transformar a Frente em um espaço de debate de temas econômicos, mantendo as pautas tradicionais, como a defesa da vida desde a concepção e a oposição à legalização dos jogos de azar e à flexibilização da Lei Antidrogas. “Queremos discutir também a economia do Brasil, a dívida interna crescente e os juros altos”, explicou.
Sobre a gestão petista, Nascimento criticou o impacto econômico sobre a população evangélica. “Os evangélicos sentem os mesmos problemas que toda a sociedade: inflação, alta nos preços e dificuldade para pagar escola e gasolina”, disse. Ele também manifestou preocupação com a postura do governo em temas sensíveis. “O governo não deveria se envolver em questões que dividem a sociedade, como o aborto. Deveria focar em inflação e segurança pública”, pontuou.
Sobre o apoio do pastor Silas Malafaia, Nascimento afirmou que ele não influenciará diretamente as decisões da Frente. “Ele é uma voz importante, mas a Frente tem autonomia”, disse. Questionado sobre o projeto que equipara o aborto ao homicídio, declarou: “Ainda não conheço o projeto em detalhes, mas a lei atual já protege adequadamente a sociedade”.
O deputado confirmou um acordo para que, em 2025, a presidência da FPE seja transferida à deputada Greyce Elias (Avante-MG). “Fui eleito para um mandato de dois anos, mas devo me licenciar da presidência a partir de março do ano que vem, e Greyce Elias assumirá”, disse.
Ao ser questionado sobre uma eventual reunião com o presidente Lula, respondeu: “Isso nunca passou pela minha cabeça. A Frente talvez não tenha essa necessidade”.
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

