O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou nesta terça-feira (21) em audiência pública no Senado que vem sendo cobrado para entregar obras e defendeu que projetos de infraestrutura não são como “pipoca de micro-ondas” – e, por isso, precisam de tempo para a conclusão.

O ministro foi chamado pelas comissões de Infraestrutura e de Desenvolvimento Regional a apresentar as prioridades da pasta para os próximos anos.

Obra de infraestrutura, eu digo que as pessoas querem muito rápido – e eu sou um sujeito acelerado, quero tentar fazer as coisas também –, mas obra de infraestrutura não igual a pipoca de micro-ondas, que a gente coloca e depois faz ‘pá-pá-pá’ e em cinco minutos está pronta”, disse.

“Obra de infraestrutura leva pelo menos dois, três anos. E três anos exigem três orçamentos diferentes“, prosseguiu.

Aos senadores, Renan Filho disse que a última década foi “perdida” na área e que o governo teve de complementar o orçamento para o setor neste ano por meio da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como “PEC da Transição“, apresentada pelo governo de transição e aprovada pelo Congresso Nacional.

Segundo Renan Filho, a PEC garantiu cerca de R$ 14 bilhões a mais para o setor neste ano.

De 2014 a 2022, tivermos para a infraestrutura uma década perdida. Investimentos muito menos que na década anterior e deixamos para trás o crescimento. […] De 14 para cá, estamos enfrentando dificuldades globais, associadas às dificuldades do nosso próprio país, gestadas por nós mesmos”, afirmou.

Obras de infraestrutura e meio ambiente

Ainda durante a sessão, Renan Filho disse ser preciso conciliar os investimentos em obras de infraestrutura e a preservação do meio ambiente.

Segundo o ministro dos Transportes, o Brasil aparece em 59º lugar em um ranking de 63 países sobre competitividade.

“Temos a necessidade de conciliar a sustentabilidade com investimentos em infraestrutura por sermos um dos países mais importantes globalmente no que concerne à preservação do meio ambiente. E precisamos, ao mesmo tempo, garantir competitividade”, afirmou.

Também durante a sessão no Senado, o ministro apresentou dados de uma pesquisa segundo a qual as ferrovias respondem por 15% da matriz logística do país. Ele explicou que a meta do plano ferroviário é chegar a 40% em 2035.

O Brasil, comparativamente a outros países que são referência para nós, tem concentração no modal rodoviário, vem lutando para ampliar ferrovias, mas ainda estamos bem distantes do proposto pelo plano ferroviário, que nos obriga chegar a 40% do transporte de cargas no modal em ferrovias. Estamos bem aquém”, declarou.

Segundo Renan Filho, a Ferrovia Norte-Sul deve ser concluída ainda no primeiro semestre deste ano.


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