A violência contra as mulheres tornou-se uma “emergência global”, afirmou o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, ao apresentar avaliação sobre o cenário internacional perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Segundo ele, cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em todo o mundo em 2024, a maioria delas por integrantes das próprias famílias, o que evidencia a gravidade do problema.
Em seu discurso, Türk citou casos que ganharam repercussão internacional, como o de Gisèle Pelicot, na França, e o do norte-americano Jeffrey Epstein. A francesa, de 71 anos, foi drogada e abusada por dezenas de homens ao longo de anos, em esquema organizado pelo ex-marido. Para o comissário, episódios como esses revelam a dimensão estrutural da exploração e da violência contra mulheres e meninas.
“Tanto o caso Pelicot quanto os arquivos Epstein demonstram a extensão da exploração e do abuso de mulheres e jovens”, declarou. Ele questionou quantos outros homens com perfil semelhante permanecem impunes e afirmou que tais crimes são facilitados por sistemas sociais que silenciam vítimas e protegem agressores influentes. Türk alertou que mulheres e jovens enfrentam ameaças crescentes a seus direitos e pediu que os países investiguem todos os crimes denunciados, assegurem proteção às sobreviventes e garantam justiça sem favorecimentos.
O alto comissário também manifestou preocupação com a normalização do uso da força como instrumento de resolução de conflitos internacionais. Para ele, a multiplicação das guerras tem contribuído para a erosão dos direitos humanos.
Türk destacou que o número de conflitos armados praticamente dobrou desde 2010, alcançando cerca de 60 atualmente. Ele observou que há uma aparente indiferença diante de violações do direito internacional e lembrou que ataques a hospitais, que antes provocavam forte indignação global, tornaram-se frequentes, chegando a uma média de dez por dia.
Ao final, advertiu que ignorar atrocidades apenas incentiva novos massacres e afirmou que o mundo não pode permanecer inerte enquanto as normas do direito internacional humanitário se enfraquecem. Em mensagem publicada na rede social X, reforçou que os direitos humanos lembram às pessoas que elas não são impotentes diante do avanço do autoritarismo.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

