O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil deflagraram a operação Guardiões de Areia, com o objetivo de apurar crimes como organização criminosa, corrupção passiva, falsidade ideológica, fraude à licitação, milícia privada e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos trinta e três mandados judiciais nos municípios de Teixeiras, Viçosa, Ponte Nova, Rio Casca, Pedra do Anta e Belo Horizonte.
As investigações, conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apontam que três investigadores da Polícia Civil teriam formado uma milícia armada para beneficiar uma empresa de mineração em Teixeiras, na Zona da Mata mineira, em troca de vantagens ilícitas. Para viabilizar o esquema, foram criadas empresas de fachada registradas em nome de “laranjas”, usadas tanto para ocultar os pagamentos ilegais quanto para prestar serviços clandestinos de segurança privada, utilizando-se de recursos do próprio Estado.
Segundo os investigadores, um assessor parlamentar intermediava os pagamentos aos policiais envolvidos. Também está sendo investigada uma rede de usura e lavagem de capitais na região, envolvendo três empresários locais que movimentaram mais de trinta milhões de reais em cerca de cinco anos.
Há fortes indícios de que o grupo também praticou fraudes em licitações e contratos com o Município de Teixeiras, criando uma espécie de “poder paralelo” na região, marcado pelo uso de violência e intimidação.
Além dos policiais, são investigados um assessor parlamentar, três empresários, um contador, um ex-escrivão, um profissional autônomo e uma especialista em meio ambiente. Estão sendo cumpridos dezesseis mandados de busca e apreensão, três de afastamento de cargos públicos e suspensão do porte e posse de armas, três de monitoramento eletrônico, além de onze mandados de bloqueio de bens.
Até o momento, foram apreendidos diversos dispositivos eletrônicos, armas de fogo, documentos, cerca de cento e seis mil reais em espécie e setecentas e quarenta folhas de cheques.
A operação mobilizou sete promotores de Justiça, quatro delegados, aproximadamente setenta policiais civis e servidores do MPMG.
Foto: Divulgação/ MPMG

