Uma operação conduzida pela Polícia Civil de Goiás apura a tentativa de inserção de documentos falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão para simular a emissão de ordens judiciais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A investigação teve início após a identificação de registros fraudulentos nos sistemas do Judiciário brasileiro.
A irregularidade foi detectada pelo Conselho Nacional de Justiça, que apontou a inclusão de arquivos falsificados na plataforma responsável por concentrar mandados de prisão em todo o país. Segundo o órgão, houve tentativa de gerar ordens de prisão em nome das duas autoridades, mas os documentos não chegaram a produzir efeitos jurídicos nem resultaram em medidas reais contra os citados.
“O sistema registrou inserções irregulares, mas nenhuma ordem judicial válida foi expedida”, informou o CNJ ao comunicar o caso às autoridades competentes. A constatação levou à abertura de investigação para identificar os responsáveis pela fraude e avaliar possíveis falhas de segurança nos sistemas digitais utilizados pelo Judiciário.
De acordo com as apurações iniciais, os suspeitos teriam incluído documentos falsificados tanto no Banco Nacional de Mandados de Prisão quanto em processos eletrônicos vinculados ao Tribunal de Justiça de Goiás. A intenção seria simular decisões judiciais legítimas e dar aparência de autenticidade às informações inseridas nos sistemas oficiais.
A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás e conta com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e da Polícia Civil do Distrito Federal. Até o momento, não houve confirmação de prisões relacionadas ao caso, mas as diligências continuam para identificar os envolvidos e mapear eventuais ramificações do esquema.
O episódio lembra uma ocorrência anterior envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Em dois mil e vinte e três, um hacker invadiu o sistema do Conselho Nacional de Justiça e inseriu dados falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio magistrado. O autor confessou a invasão e declarou que realizou a ação a pedido de uma então parlamentar federal, que sempre negou participação no caso.
Ambos foram denunciados por crimes relacionados à invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Investigações apontaram que o acesso irregular tinha como objetivo inserir informações falsas nos registros judiciais. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal condenou a ex-parlamentar, determinando também a perda do mandato.
Após a condenação, a ex-deputada deixou o país, foi presa no exterior e, posteriormente, renunciou ao cargo parlamentar.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

