O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já definiu quais ministérios aceitaria caso fosse indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o da Justiça e Segurança Pública ou o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A informação foi compartilhada com aliados, segundo apuração do *Estadão/Broadcast Político*. Pacheco também deixou claro que não deseja ser indicado como uma escolha do PSD, evitando, assim, a substituição de um dos atuais ministros do partido.

Atualmente, as duas pastas estão sob o comando de figuras de confiança de Lula. Ricardo Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, após a saída de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF). Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços está sob a liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin. Até o momento, nenhum dos dois sinalizou intenção de deixar seus cargos.

A disposição de Pacheco para integrar o governo Lula marca uma mudança de postura. Até o ano passado, ele indicava que pretendia se afastar da política por alguns meses após deixar a presidência do Senado, em fevereiro de 2025. No entanto, agora já avalia quais ministérios aceitaria ocupar e quais descartaria.

Entre as pastas que o presidente do Senado não deseja assumir, destaca-se o Ministério de Minas e Energia. O motivo principal seria evitar qualquer sinalização de desrespeito ao atual titular da pasta, Alexandre Silveira, ex-senador e indicado ao cargo pelo próprio Pacheco. A valorização da simbologia política tem sido uma característica do senador, que busca evitar desgastes e preservar sua imagem conciliadora.

Outra pasta que Pacheco não considera é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo interlocutores, ele não tem familiaridade com o setor e, mesmo com um orçamento superior a R$ 13 bilhões para 2024, não demonstrou interesse no cargo. Atualmente, o ministério é comandado por Luciana Santos (PCdoB), mas há avaliações dentro do governo de que a pasta tem peso excessivo para um partido com apenas oito deputados. Mesmo que Pacheco não assuma a função, Luciana pode ser deslocada para outra posição na reforma ministerial, possivelmente para os Ministérios da Pesca ou das Mulheres.

A acomodação de Pacheco em um cargo no governo é uma das peças-chave da reforma ministerial que Lula pretende realizar nas próximas semanas. Durante entrevista coletiva na quinta-feira (30), o presidente da República evitou dar detalhes sobre as negociações com o senador, mas reforçou seu desejo de vê-lo candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.

“Não posso dizer quem vai ser. Se eu pudesse falar, falaria. O que quero é que Pacheco seja governador de Minas Gerais”, declarou Lula.

Nos últimos dois anos, Pacheco foi um aliado estratégico do governo no Congresso. Embora tenha evitado declarações explícitas de alinhamento, atuou para barrar pautas da oposição e garantir avanços para a agenda do Executivo em momentos cruciais. Caso sua nomeação para um ministério se concretize, será uma escolha pessoal de Lula, e não uma indicação do PSD.

A possível entrada de Pacheco no governo reforça o movimento do Planalto para consolidar sua base de apoio e pavimentar alianças de olho nas eleições de 2026. Resta saber como o senador, que sempre cultivou um perfil de independência, lidará com o novo papel dentro da estrutura governamental.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


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