O ex presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), vem sendo apontado como peça estratégica nas articulações do PT para as eleições de 2026, em um cenário no qual o partido deve lançar o menor número de candidatos a governador de sua história. O objetivo central da legenda será garantir palanques fortes para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e viabilizar candidaturas competitivas ao Senado, incluindo o apoio a Pacheco, que pode disputar o governo de Minas Gerais ou buscar a reeleição como senador.
Em 2002, quando Lula venceu pela primeira vez a corrida presidencial, o PT apresentou 24 nomes ao Executivo estadual. O número caiu para 10 em 2010, durante a campanha vitoriosa de Dilma Rousseff, e foi de 13 em 2022. Agora, a projeção de dirigentes petistas é de uma presença ainda mais reduzida em 2026, com foco na construção de alianças amplas que favoreçam o presidente.
Hoje, apenas três governadores petistas devem disputar a reeleição: Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí). Não há expectativa de candidaturas próprias nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que representa uma mudança estratégica significativa. A legenda pretende apoiar candidatos de partidos de centro, como PSD e MDB, a fim de consolidar alianças eleitorais e ampliar o tempo de televisão para Lula.
O partido já dá como certa a aliança com o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), que deverá disputar o governo de Alagoas. Também deve apoiar a candidatura de Hana Ghassan (MDB), atual vice-governadora do Pará, apadrinhada por Helder Barbalho. No Amazonas, os petistas caminham para fechar apoio ao senador Omar Aziz (PSD), enquanto no Rio de Janeiro é provável que respaldem a candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual.
“O PT está priorizando palanques fortes e nomes com densidade eleitoral. É uma escolha pragmática diante da complexidade do cenário nacional”, avalia um dirigente da legenda.
Apesar do avanço nas negociações, há estados que preocupam a direção nacional por falta de nomes viáveis ou alianças claras. É o caso de Santa Catarina e Paraná. Em 2022, o PT surpreendeu ao levar Décio Lima, atual presidente do Sebrae, ao segundo turno em Santa Catarina, reduto bolsonarista. Agora, o partido discute se deve aproveitá-lo na disputa pelo Senado, em vez de lançá-lo novamente ao governo estadual.
Essa movimentação ocorre num contexto em que dois terços do Senado — 54 das 81 cadeiras — estarão em jogo em 2026. O temor da cúpula petista e do próprio presidente Lula é que a Casa acabe dominada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que dificultaria ainda mais a governabilidade no segundo mandato. “Estamos atentos à renovação do Senado. A composição da Casa será determinante para a estabilidade política do país nos próximos anos”, comentou um integrante do núcleo político do Planalto.
As alianças com PSD e MDB são vistas como essenciais para ampliar a base no Congresso e enfrentar a força da direita nas regiões onde o bolsonarismo continua influente. Nesse sentido, o nome de Rodrigo Pacheco surge como prioridade. Além da possibilidade de concorrer ao governo mineiro, Pacheco pode ser peça-chave na estratégia de Lula para manter um canal institucional de diálogo com o Congresso. “É um parceiro institucional importante e respeitado em Minas e no Senado”, diz um auxiliar do presidente.
A tendência, segundo interlocutores, é que o PT abra mão de disputas estaduais em troca de apoio à reeleição de Lula e à consolidação de um Senado menos hostil. A prioridade é evitar a repetição de 2019, quando o Congresso representou um freio às pautas do Executivo petista.
MG. Foto: Ricardo Stuckert / PR

