O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou publicamente os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Júnior (PSD-PR) por suas declarações sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, acusando-os de omitir apoio à anistia para presos dos atos golpistas de 8 de janeiro e de não defenderem Jair Bolsonaro. As críticas ocorreram após um evento promovido pela XP Investimentos em São Paulo, onde os governadores atacaram a condução diplomática do governo Lula, mas evitaram mencionar o ex-presidente.

Nas redes sociais, Eduardo publicou um vídeo do discurso de Ratinho Júnior, que declarou que “o ex-presidente Jair Bolsonaro não é mais importante que a relação comercial entre os EUA e o Brasil”. O deputado rebateu afirmando que “Trump publicou posts, enviou cartas e deu declarações à imprensa defendendo nominalmente o fim da perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores”. E acrescentou: “Desculpe-me, governador, mas ignorar esses fatos não vai solucionar o problema, vai apenas prolongá-lo ao custo do sofrimento de vários brasileiros”.

Eduardo também compartilhou críticas feitas por aliados ao governador de São Paulo. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) comentou a declaração de Tarcísio sobre a perda potencial de 120 mil empregos em São Paulo por causa do tarifaço. Durante o evento, o governador havia dito que o assunto precisava ser tratado por “adultos”. Em resposta, Diniz ironizou: “Talvez um dia os ‘adultos da sala’ vão ter a coragem de nomear os verdadeiros culpados pelas tarifas e pela violenta eliminação dos direitos humanos em São Paulo e no Brasil”.

O deputado também retomou suas críticas a Tarcísio após breve período de trégua. O embate entre os dois recomeçou com o anúncio do tarifaço feito por Trump, após Tarcísio declarar que buscaria uma solução diplomática junto à Embaixada dos EUA. Eduardo classificou a estratégia como “falta de inteligência”. Dias depois, afirmou que ambos haviam se acertado em uma “longa conversa”. No entanto, na semana passada, o deputado voltou a atacá-lo, desta vez por manter o deputado Guto Zacarias (União-SP), ligado ao MBL, como vice-líder de seu governo na Assembleia Legislativa. “Por que o Tarcísio mantém como vice-líder uma pessoa do MBL, um grupo que defende a minha prisão, a prisão de meu pai, a prisão de jornalistas exilados, gente que ficou anos sem ver os filhos, como o Allan dos Santos?”, questionou Eduardo.

Apesar de também ter participado do evento da XP e feito críticas ao governo Lula, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), não foi alvo de ataques por parte de Eduardo. Caiado afirmou que o governo federal tem se limitado a discursos sobre soberania nacional, sem procurar diálogo com os estados afetados.

Eduardo também mirou em outros nomes próximos ao bolsonarismo que integram a comitiva de parlamentares que viajou aos Estados Unidos para tratar do tarifaço. Ele criticou os senadores Marcos Pontes (PL-SP) e Tereza Cristina (PP-PI), ambos ex-ministros do governo Bolsonaro. Segundo o deputado, a missão seria “fadada ao fracasso” e representaria um “desrespeito”. Apoiadores nas redes sociais passaram a chamá-los de “traidores da pátria”.

Em resposta, Marcos Pontes publicou fotos da primeira reunião nos EUA e afirmou que sua participação era “técnica, natural e indispensável”, com o objetivo de “salvaguardar o correto entendimento das pautas da direita”, defender empregos e melhorar o diálogo entre os parlamentos dos dois países. Já a senadora Tereza Cristina declarou, no dia do embarque, que viajou na condição de vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. “Mantenho minhas convicções e sempre trabalharei para negociar e reconstruir pontes. É esse o nosso dever cívico”, escreveu no X.

Foto: Zeca Ribeiro/CâmaradosDeputados

 


Avatar

administrator