O pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master recebeu forte apoio de integrantes do Progressistas, partido presidido pelo senador Ciro Nogueira. O requerimento, apresentado pelo deputado Carlos Jordy, contou com 27 assinaturas de parlamentares da legenda, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre negócios relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Protocolado em fevereiro deste ano, o documento reuniu 281 assinaturas, sendo 239 deputados e 42 senadores. O partido com maior adesão foi o PL, com 89 apoios. Em seguida aparecem legendas do Centrão, como União Brasil, PSD, PP, MDB e Republicanos. Ao todo, parlamentares de 17 partidos assinaram o pedido. No PT, apenas o senador Fabiano Contarato apoiou a proposta.
O Progressistas possui atualmente 47 deputados e sete senadores. Após a criação da federação União Progressista, formada com o União Brasil, Ciro Nogueira passou a dividir o comando da maior bancada da Câmara ao lado de Antônio Rueda. Entre os parlamentares que assinaram o requerimento estão nomes influentes da bancada, como Ricardo Barros, Tereza Cristina e Esperidião Amin.
Também aparecem na lista deputados mineiros do PP, como Ana Paula Leão, Pinheirinho e Mauricio Neves. Dois parlamentares que estavam no partido na época da assinatura migraram posteriormente para outras legendas durante a janela partidária.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se posicionou oficialmente sobre a criação da CPMI. Apesar disso, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a bancada apoiaria requerimentos relacionados ao caso apresentados por outros parlamentares.
Enquanto o Congresso discute a instalação da comissão, as investigações da Polícia Federal avançam. Nesta quinta-feira, Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. A ação atingiu imóveis ligados ao senador e empresas associadas a ele. O irmão do parlamentar também foi alvo das medidas judiciais.
Na mesma operação, o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro, foi preso temporariamente. Ao todo, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. O STF também determinou o bloqueio de bens e valores que somam R$ 18,85 milhões.
Segundo a decisão judicial, os investigadores identificaram indícios de uma relação estruturada entre integrantes do grupo investigado, com possível troca de benefícios políticos e econômicos. A Polícia Federal sustenta que mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam participação ativa de aliados políticos em iniciativas favoráveis ao Banco Master.
Conversas de 2024 mostram Vorcaro comemorando a apresentação de uma emenda parlamentar que beneficiaria interesses do banco. Em resposta às suspeitas, Ciro afirmou anteriormente que mantém contato com centenas de pessoas e que isso não caracteriza proximidade pessoal ou irregularidade.
De acordo com mensagens obtidas pela PF, Vorcaro teria encaminhado diretamente ao gabinete de Ciro o texto de uma proposta apelidada nos bastidores de “emenda Master”. Após o envio, o ex-banqueiro escreveu que o texto “saiu exatamente como mandei”.
A proposta sugeria ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante e também defendia mudanças na administração do fundo, atualmente privada. A medida não foi aprovada pelo Congresso, mas investigadores consideram que o episódio reforça suspeitas de articulação em favor dos interesses do banco junto ao meio político e financeiro nacional atualmente.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

